A arte de dizer não: como ser gentil ao recusar pedidos

Por Samuel Torres 30 de agosto de 2019

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Já falamos aqui no blog sobre a importância de reservar um tempo para desenhar e, assim, ser mais produtivo. A reserva de 30 minutos por dia para se dedicar ao desenho realista pode te fazer alcançar níveis mais altos. Porém, outro ponto importantíssimo que devemos aprender é a arte de dizer não.

É isso mesmo. Dizer um “não”, por mais que a princípio pareça um tanto grosseiro, é essencial para manter o equilíbrio entre a vida pessoal e a arte que se dedica.

Por isso, vamos falar sobre a repetição de comportamentos que nos induzem a ter dificuldades em dizer não. Muitas vezes, se impor para o outro é uma tarefa que exige cuidados.

Neste artigo, vamos dar algumas dicas que podem ajudá-lo a se livrar de situações embaraçosas sem criar um clima desagradável entre você e a pessoa que lhe pede algo. Continue a leitura!

Os muitos “sim” que dizemos

No geral, todos nós temos a tendência de evitar dizer não. Talvez por parecer um tanto rude, ou significar que somos pessoas “ruins”. Nesse sentido, é natural dizemos mais “sim” do que “não”, na tentativa de agradar àqueles que estão à nossa volta.

Porém, se pararmos para pensar, uma infinidade de sins acaba minando o nosso tempo, energia e ânimo. No final, nos damos conta de que estamos fazendo muito mais aos outros do que a nós mesmos, não é mesmo?

Pode ser quando alguém próximo pede aquele favor urgente e você se dispõe prontamente. Ou quando surge aquele compromisso entre amigos e você muda seus planos para não deixar ninguém na mão. Assim, entre tantos pedidos e pequenos compromissos do dia a dia, o tempo e a energia disponíveis para fazer o que queremos vai minando.

A realidade de quem desenha

Quem desenha há um algum tempo certamente já vivenciou o exemplo que vamos dar agora. Você começa a desenhar, algum amigo ou parente descobre e, sem titubear, vem aquele pedido: “faz um desenho pra mim?”.

Em seguida, você (provavelmente sem jeito), acaba aceitando e se comprometendo em fazê-lo. No entanto, depois de aceitar o pedido, sente um arrependimento e até uma raiva de si mesmo. “Porque eu disse sim?”, é um questionamento recorrente.

Assim, vão-se horas e mais horas de trabalho árduo até que finaliza e entrega o pedido, cumprindo sua palavra. Depois diz pra si mesmo: “não vou cair mais nessa!”.

Ilusão! Não demora muito para sugrir uma outra situação semelhante e igualmente embaraçosa. Você, claro, novamente fica sem jeito de falar não e acaba aceitando, não é mesmo? Acontece nas melhores famílias!

Tenha foco para dizer não

Visto toda essa dificuldade em dizer não, vamos falar sobre uma competência de extrema importância para quem desenha: o foco!

Para começar, o primeiro ponto é saber o que você quer. O que deseja aprender, desenvolver, realizar? Tendo consciência disso, comece a formular um plano que responda, principalmente, três questionamentos:

  • o que precisa ser feito primeiro?
  • e depois?
  • quantas horas por dia preciso praticar?

Assim, responder essas perguntas é importante para analisar a sua própria rotina. Além disso, é preciso identificar brechas de tempo e oportunidades para fazer algo pra si, seja o desenho ou qualquer outra coisa. 

Tendo foco você não perde tempo procurando o que fazer, afinal, já sabe o que precisa ser feito. 

Seguir um planejamento é importante para não ficar preso à tarefas aleatórias e caminhar em uma única direção, um passo a passo, um método. Logo, ao realizar cada etapa, você se sente mais confiante e seguro para dar o próximo passo.

Após tomar consciência do que quer fazer e começando então a agir, evita distrações. Assim, quando surge um pedido, você vai ponderar, analisar se está a seu alcance e, se não for atrapalhar o seu propósito nem sua programação, você faz.

Do contrário, se perceber que aquele pedido vai atrapalhá-lo de alguma forma, é possível dizer um “não” de uma forma gentil.

O “não” gentil

No nosso trabalho, precisamos ter metas, propósitos e nos impor ao lidar com situações que demandam nossa atenção e tempo. Porém, tudo isso pode ser feito sem parecer rude. 

Por isso, quando algum amigo ou parente te pedir um desenho, experimente um dos discursos abaixo. Veja os exemplos:

“Fico agradecido pela consideração mas, no momento, estou envolvido em outros projetos pessoais e meu tempo está muito escasso. Por isso, não vou poder fazer isso pra você. No entanto, posso indicar alguém que o faça“;

“Obrigado pela consideração, mas no momento não estou pegando desenhos por encomenda. Além disso, utilizo o meu disponível para estudar, desenvolver minhas habilidades e desenhar para mim mesmo. Quem sabe numa outra ocasião? Agradeço a compreensão!”.

Já quando alguém lhe pede um desenho e você não se sente seguro em fazer:

“Fico feliz pela consideração mas, no momento, não me sinto confiante em fazer esse trabalho pra você. Quem sabe mais pra frente, quando eu desenvolver mais a minha habilidade?”. 

Uma outra situação é quando alguém pede um desenho de graça:

“Não posso fazer pra você esse desenho no momento porque estou focado em fazer desenhos pra mim mesmo e assim desenvolver minhas técnicas. De vez em quando até aceito alguma encomenda de desenho para que possa assim comprar materiais novos, que são caros”. 

“Desculpe amigo, mas como eu trabalho com encomendas de desenho, não posso fazer desenhos de graça, pois cada trabalho leva muito tempo para ser concluído. Agradeço a compreensão”. 

Assim, não só tratando apenas de desenho, mas qualquer situação que exija de você tempo e energia, pondere. Se for o caso, rejeite gentilmente, explique o porquê, agradeça e dispense. 

Aprendendo a dizer não, sobra espaço para os sins de outras coisas que realmente queremos e que nos importa fazer. Boa sorte!

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