17 dicas para saber se o seu desenho está claro ou escuro

Por Samuel Torres 24 de julho de 2018

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17 dicas para saber se o seu desenho está claro ou escuro
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O desenho realista a lápis grafite se destaca pela composição de sombras que fazem realçar as partes de brilho.

Sendo assim, um belo desenho realista faz o uso do contraste. E isso nada mais é do que distinguir o branco do preto. Isto é, onde é branco deve estar realmente branco, e onde for preto, o mais escuro possível.

 

É claro que não conseguimos um contraste absoluto, já que o papel em si não é totalmente branco. e nem o grafite é totalmente preto. Então trabalhamos com tons de cinza.

É importante frisar também que a percepção influencia diretamente no contraste que se alcança no desenho.

Quando se está começando a aprender as técnicas de sombreamento realista, é comum haver certa dificuldade de identificar os tons, ao compará-los com a fotografia de referência.

Você já deve ter passado por momentos em que não consegue identificar se o seu desenho está claro ou escuro. Então vamos deixar aqui algumas dicas!

O branco mais branco

A primeira dica prática é o quão branco se consegue deixar os detalhes claros.

Quando a imagem de referência mostra detalhes de brilho intenso, a melhor maneira de reproduzir esse tom totalmente branco é deixar o branco real do papel.

Ou seja, nessas partes não se aplica nenhum tipo de sombreamento, nem com lápis, nem com outras ferramentas de esfumar.

1. Separe as partes e detalhes brancos e evite “sujá-los” de grafite. Se borrar, mesmo apagando, não chegará ao tom totalmente branco do papel novamente.

2. Fios feitos com o boleador costumam ficar borrados ao término do sombreamento, deixando de ficarem totalmente brancos. Ao final, limpe os fios com uma borracha fina, de preferência a Tombow Mono Zero, para que voltem a ficar brancos.

3. Use sempre um papel embaixo da mão. E evite esfregá-lo sobre o desenho para não borrar as partes brancas.

O preto intenso

Outro fator crucial para um bom contraste no desenho é a intensidade do tom preto.

Mesmo que o grafite não chega a um tom realmente preto, deve-se tentar aproximar ao máximo do preto absoluto.

Pode-se usar o lápis 4B ou até o 6B. Lembrando que a partir do 6B, os lápis grafite não mudam sua intensidade de preto, apenas tornam-se mais macios.

Existe, porém, outros lápis que apresentam um preto absoluto. Mas não são unicamente feitos de grafite, mas sim uma mistura com carvão e outros aditivos.

Aqui vamos nos ater apenas ao grafite:

Dicas para manter o escuro

4. Em áreas que forem bem escuras ou pretas, use um lápis ou lapiseira 4B ou 6B direto. Mas sem fazer fundo claro antes, pois o fundo feito com um lápis mais claro satura um pouco o papel. Fica com aquele aspecto muito liso, meio “encerado”. E assim, não aceita mais grafite, tornando mais difícil escurecer.

5. Mantenha a pressão da mão de média para forte ao sombrear partes escuras, a fim de chegar ao tom máximo do grafite. Cuidado para não deixar falhas, porosidade ou traços do lápis.

6. Se estiver usando lápis da Faber-Castell, use a graduação 6B, pois o 4B não chega ao tom máximo do grafite.

7. Para lapiseira, use minas de grafite 0.5 4B da marca Pentel.

8. Evite passar o lenço de papel ou esfuminho em excesso nas partes escuras e pretas para não retirar o grafite. E assim clarear o sombreamento.

9. Use sempre um papel embaixo da mão para proteger o desenho. E comece sombreando da esquerda pra direita, de cima para baixo (na diagonal). Isto, se for destro, para evitar que a mão fique esfregando por cima de onde já foi feito, retirando o grafite.

10. Ao finalizar um desenho, passe sempre o fixador. De preferência o Fosco da marca Acrilex, para evitar que borre, que suje onde for branco e para manter a intensidade das partes escuras.

Como saber se o desenho está claro ou escuro demais?

Mesmo com todos os cuidados citados acima, as vezes esse problema continua.

Igualmente com a referência ao lado, podemos olhar, comparar os tons e não perceber as diferenças.

Mas pode ser que nossa percepção está nos enganando e não estamos “vendo” de fato o tom real.

O que fazer então?

11. Uma dica é afastar-se do desenho e olhá-lo a uma certa distância, com a referência ao lado.

Assim as chances de enxergar as diferenças de tons aumentam, pois quando estamos muito em cima do desenho, nossa visão e mente focam em detalhes.

12. Outra ideia é tirar uma foto do desenho ao lado da referência. Ao olhar a foto dos dois lado a lado na tela do celular, temos uma ideia melhor do contraste e tons do desenho, se estão realmente próximos aos da referência ou não.

Sempre que estou começando um desenho, gosto de sombrear alguma parte que seja preta. Pode ser uma parte do fundo, pode ser do cabelo… Desse modo, tenho um parâmetro para saber se o meu desenho está ficando claro ou escuro demais.

Vou direto com um lápis mais escuro, forçando um pouco pra alcançar o tom máximo do grafite.

Antigamente eu não fazia assim. Começava um rosto e o concluía para depois começar o cabelo. Com o fundo branco do papel em volta parecia estar no tom correto.

Porém, quando fazia o cabelo, o rosto ficava pálido, aí tinha que voltar escurecendo-o todo, aumentando o contraste. E, enfim, alcançando harmonia.

Iluminação

Uma boa iluminação também é crucial para se obter um bom contraste no desenho.

13. Mantenha uma luminária ao seu lado, de forma que ilumine bem o desenho. E que não projete a sombra da sua mão onde estiver desenhando.

14. A luz do teto costuma atrapalhar porque dá reflexo no grafite e nos engana quanto aos tons. Se necessário, deixe-a desligada, ficando apenas com a luminária.

15. Use lâmpadas fluorescentes ou de led para uma iluminação branca, porque dá para identificar melhor os tons.

Uma iluminação adequada e sem reflexos mostra a intensidade real dos tons.

Cuidado para não escurecer demais

Ter um belo contraste não significa forçar o preto. Mas sim saber dosar os tons. Escurecer apenas onde for realmente escuro.

Áreas de tons médios e claros devem permanecer assim, para dar suavidade ao desenho.

16. Em sombreamentos de pele ou em qualquer área de tons médios, não sombreie diramente com um lápis mais escuro.

Haverá a tendência de passar do tom. Prefira começar com graduações mais claras, como o H e HB.

17. Em partes e detalhes que forem bem claros, pode-se usar a graduação 2H e um esfuminho bem limpo (lixado), para não correr o risco de passar do tom. Muito menos em manchar.

 

Já se sente mais confiante em relação ao contraste nos desenhos? Então agora é hora de pôr a mão na massa. Ou melhor, no lápis e papel!

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