Como tirar o traço de desenhos?

O que é tirar o traço de um desenho?

Tirar o traço de um desenho é a etapa em que o esboço estrutural — contornos, proporções, posicionamento dos elementos — é transferido para o papel definitivo antes das camadas de tom e sombreado. No desenho realista, esse traço pode ser feito por decalque, mesa de luz, linhas diretrizes ou à mão livre, com cada método influenciando a precisão da proporção e o tempo dedicado à etapa mecânica do trabalho.

Você que está começando a desenhar ou já desenha há um certo tempo, em algum momento já se perguntou sobre qual a melhor forma de tirar o traço de desenhos.

A ideia que normalmente se tem é que o desenho deve ser feito “do zero” — à mão livre, apenas por observação ou até mesmo por criação, ou seja, imaginação.

Sendo assim, os que gostam de praticar o desenho normalmente usam o método à mão livre e acabam repudiando métodos de transferência dos traços, chegando a pensar que estão “trapaceando”.

A intenção aqui não é dizermos qual o melhor método, nem mesmo questionar qual é a forma “correta” de desenhar. O desenho por si só já é algo gratificante e proveitoso, independente da técnica e dos métodos utilizados.

Vamos apresentar alguns dos métodos mais utilizados: decalque, mesa de luz, linhas diretrizes ou à mão livre. Assim, você pode escolher o traço ideal para você.

Tirando o traço de desenhos com decalque

Ilustração do processo de decalque com folha grafitada

O decalque é a forma mais rápida e fácil de tirar o traço de desenhos. A técnica é semelhante ao uso de papel carbono, mas em vez de usar o papel carbono tradicional como meio de transferir o traço, é usada uma folha sulfite preenchida com lápis grafite, normalmente a graduação 2B. Dessa forma, o traço fica no mesmo tom do desenho, desaparecendo após o sombreamento.

Preenchimento de folha sulfite com grafite para uso como carbono caseiro

O preenchimento da folha deve ser o mais homogêneo possível — sem falhas, nem muito forte, nem muito claro. O excesso de grafite no decalque deve ser retirado com um lenço ou papel higiênico, para que não borre o papel a ser desenhado.

  • Vantagens: custo quase zero, facilidade e agilidade.
  • Desvantagens: o traço forte pode formar sulcos no papel, causando resultados indesejáveis ao desenho.
  • Dicas: cole com fita crepe a imagem de referência impressa junto ao papel que irá desenhar para não correr o risco de movimentar a folha (a foto de referência deve ser colocada por cima do papel a ser desenhado). Coloque o papel usado como “carbono” entre as duas folhas, com a parte grafitada para baixo. Faça o traço com um lápis bem apontado e duro para manter a precisão, com pressão mediana. Tenha duas impressões: uma para o decalque e outra limpa para observar ao sombrear.

Usando a mesa de luz

Mesa de luz LED em uso com foto de referência sob papel de desenho

A mesa de luz é também uma forma rápida e fácil de tirar o traço de desenhos. A única limitação costumava ser o orçamento, mas hoje há opções acessíveis — modelos tamanho A4 com LED saem por preço razoável e resolvem a maior parte dos retratos.

É uma prancheta iluminada onde se coloca a foto abaixo do papel a ser usado no desenho. Ao acender a luz, a imagem transparece na folha, podendo, assim, marcar os contornos.

  • Vantagens: facilidade e agilidade.
  • Desvantagens: dificuldade de visualização em locais bem iluminados ou em partes escuras da imagem. Prefere-se locais escuros para perceber detalhes com maior nitidez.
  • Dicas: cole com fita crepe a imagem de referência junto ao papel; utilize em locais escuros (mas não tão escuros que impeçam ver o próprio traço); mantenha uma folha sulfite abaixo da mão para não sujar o papel; utilize um lápis H de forma bem leve para não fazer sulcos.

Linhas diretrizes

Exemplo de linhas diretrizes verticais e horizontais aplicadas sobre foto de referência

As linhas diretrizes são uma das formas de tirar o traço que mais se assemelham ao desenho à mão livre. Consistem em linhas verticais e horizontais que servem para orientar a criação do traço. Todas as formas entre as medidas obtidas são feitas por observação e à mão livre.

É usada uma folha sulfite para medir e transferir as medidas entre a foto de referência e o papel a ser usado no desenho. Usa-se as laterais da folha para pegar as medidas que estão nas linhas e o canto da folha para pegar algum ponto que não passe pelas linhas, marcando os eixos vertical e horizontal. As linhas feitas no papel do desenho devem ser apagadas depois de concluído o traço.

  • Vantagens: custo quase zero e certa liberdade no traço.
  • Desvantagens: trabalho minucioso de medição e observação, que leva tempo na execução, e ainda pode ficar levemente fora de proporção sem muita prática.
  • Dicas: pegue, com ajuda da folha sulfite, o máximo de medidas possíveis. Se não quiser ficar riscando o papel a ser desenhado, tire o traço com linhas diretrizes em uma folha sulfite e depois transfira o traço à folha final usando decalque ou mesa de luz.

Fazendo o traço à mão livre

Fazer o traço à mão livre ou criar um esboço é a forma mais livre de desenhar. Pode ser gratificante se executada com excelência, ou frustrante caso não se tenha o domínio e conhecimentos necessários para uma boa execução.

Para que se tenha êxito nesse método, é importante um bom domínio do traço, precisão e uma boa percepção. E, se possível, conhecimento sobre anatomia.

  • Vantagens: forma livre e gratificante de começar um desenho.
  • Desvantagens: suscetível a erros de proporção ou de traços, o que pode levar a formas finais estranhas e imprecisas.
  • Dicas: segurar um lápis com o braço estendido à frente e usá-lo para pegar medidas ajuda na execução. Métodos de construção do esboço com linhas e círculos, e conhecimento de proporções humanas básicas, também são essenciais.

Outras formas de tirar o traço de desenhos

Essas não são as únicas formas de tirar o traço de desenhos. Há inúmeras outras, como quadriculado (ou grid), memória visual, projetor e retroprojetor, entre outras. Citamos essas por serem as mais usadas no desenho realista.

Vale destacar o quadriculado, que é parecido com as linhas diretrizes, porém com muito mais linhas verticais e horizontais — uma malha completa.

Consiste em quadradinhos por toda a foto, reproduzidos igualmente na folha a ser desenhada. Assim, ajuda a orientar tanto o traço quanto o sombreado.

Método do quadriculado aplicado sobre desenho realista em progresso

Se deseja aprofundar ainda mais sua técnica além do traço de desenhos, não deixe de conferir um checklist de 4 etapas para produzir um desenho realista impressionante.


Galeria curada — 545 desenhos realistas feitos a mão. Veja o que é possível fazer só com lápis e papel.

Perguntas Frequentes

Decalque com folha grafitada danifica o papel final?

Só se você aplicar pressão excessiva no traço de transferência — nesse caso, o lápis faz sulcos no papel definitivo que aparecem depois como riscos brancos no sombreado. A pressão certa é a suficiente para transferir uma linha visível, mas leve o suficiente para não deixar marca na folha por baixo do papel de decalque. Um lápis H, bem apontado, com pressão média resolve na maioria dos casos. Sempre teste em um canto antes de começar o traço definitivo.

Linhas diretrizes é melhor do que mesa de luz para quem quer treinar percepção?

Sim. As linhas diretrizes exigem que você observe distâncias e proporções entre pontos de referência, o que treina o olho para julgar dimensões. A mesa de luz apenas transfere o contorno já pronto — útil para produtividade, mas não desenvolve a habilidade de estimar proporções sem apoio visual. Uma boa prática é alternar: usar mesa de luz em trabalhos de produção e reservar sessões dedicadas a linhas diretrizes ou traço livre para exercitar a percepção.

Qual método serve para retratos e qual para composições mais complexas?

Para retratos, o decalque e a mesa de luz funcionam muito bem porque a proporção facial é sensível e pequenos erros ficam evidentes. Para composições complexas com múltiplas figuras, objetos e perspectiva, o quadriculado costuma ser mais indicado — ele permite verificar proporção em várias regiões independentemente, evitando que um erro no início se propague para o restante. Linhas diretrizes servem bem como método intermediário para paisagens e naturezas-mortas, quando a precisão milimétrica não é o critério principal.

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