Glossário do desenho realista: 43 termos a lápis explicados

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Esta página reúne os termos que aparecem o tempo todo no desenho realista a lápis, cada um explicado em poucas linhas e com o uso prático. São os materiais e as técnicas que mais voltam nos artigos daqui, em ordem alfabética. Se você travou numa palavra no meio de um tutorial, procure por ela aqui antes de seguir.

Algodão

O algodão é usado no desenho realista para espalhar grafite em áreas grandes, como fundos e planos de pele, com transição bem suave. Um chumaço cobre muito mais rápido que o esfuminho e deixa um cinza uniforme, mas não tem precisão: perto de um contorno ele invade a área que você quer preservar.

Apontador

O apontador é o que define a ponta com que você desenha, e a ponta define o traço. Para desenho realista vale ter um apontador comum para o preparo rápido e uma lixa fina para afinar o grafite depois. Ponta curta e grossa cobre área; ponta longa e afiada faz fio de cabelo e poro.

Borracha

A borracha, no desenho realista, é instrumento de desenho e não só de correção. A branca macia limpa sem ferir o papel, a maleável levanta grafite por toque e a de precisão abre luz fina dentro de uma área já sombreada. Borracha dura demais arranca a fibra e o papel nunca mais aceita tom liso.

Brilho

O brilho é a área onde a luz se reflete diretamente sobre a superfície, como no fio de cabelo, no lábio inferior ou na córnea. No desenho a lápis ele quase sempre é branco do papel reservado desde o começo, não branco recuperado no fim. Depois que a região satura de grafite, aquele branco não volta.

Camadas

Camadas são as passadas sucessivas e leves de grafite que constroem o tom aos poucos, em vez de resolver tudo apertando o lápis de uma vez. Cada camada fecha um pouco mais a textura do papel e deixa o tom mais fechado. Trabalhar assim mantém o controle: dá para escurecer mais, mas nunca para desapertar.

Caneta borracha

A caneta borracha é uma borracha estreita dentro de um corpo tipo caneta, que avança conforme gasta. Serve para desenhar com a luz: fio claro no cabelo, ponto de brilho na íris, fio da sobrancelha por cima do tom. É ela que resolve o detalhe claro que nenhuma borracha comum consegue alcançar.

Carvão

O carvão dá pretos muito mais profundos que o grafite, que tende a permanecer acinzentado e a criar aquele leve espelhamento nas áreas escuras. Em compensação, ele solta pó, suja o papel com facilidade e exige fixador no fim. Muita gente combina os dois: grafite na pele e carvão só nas sombras mais fechadas.

Decalque

Decalque é transferir o contorno de uma referência para o papel definitivo, com papel carbono, mesa de luz ou grafite passado no verso da folha. Não é atalho proibido: é uma etapa técnica antiga de ateliê. O que ele resolve é o contorno; o volume, a textura e o valor tonal continuam sendo desenho seu.

Degradê

Degradê é a passagem contínua de um tom claro para um tom escuro, sem que se enxergue onde uma faixa termina e a outra começa. É o exercício que mais revela controle de pressão, porque qualquer salto aparece na hora. Ele se constrói com camadas leves e sobrepostas, e só depois se suaviza com o esfuminho.

Esboço

O esboço é a fase inicial e leve do desenho, onde você resolve proporção, posição e inclinação antes de qualquer sombra. Ele não precisa ser bonito, precisa estar certo. Corrigir um esboço custa um segundo de borracha; corrigir um retrato inteiro porque os olhos ficaram em alturas diferentes custa o desenho todo.

Esfuminho

O esfuminho é um cilindro de papel prensado com as duas pontas afinadas, usado para espalhar o grafite já depositado no papel. Ele suaviza a passagem entre tons com bem mais controle que o dedo, que ainda por cima deixa gordura na folha. Quando suja, basta lixar a ponta com uma lixa fina.

Estilete

O estilete apara a madeira do lápis expondo um bastão longo de grafite, coisa que o apontador comum não faz. Com essa ponta comprida você desenha usando a lateral do grafite para cobrir área e a extremidade para o detalhe fino. Corte sempre afastando a lâmina do corpo e apoiado numa superfície firme.

Fixador

O fixador é o spray que sela o pó de grafite ou de carvão no papel e evita que o desenho borre ao ser guardado, transportado ou emoldurado. Aplica-se em camadas finas, a uma boa distância e em ambiente ventilado. Ele escurece um pouco os tons claros, então vale testar antes num pedaço da mesma folha.

Grafite

O grafite é o material central do desenho realista a lápis, classificado numa escala que vai das minas duras H, passando por HB, até as macias da faixa B. As duras mantêm a ponta e ficam claras; as macias soltam mais pigmento, escurecem mais e borram com facilidade. Três ou quatro graduações resolvem quase tudo.

Hiper-realismo

Hiper-realismo é a corrente em que o desenho vai além da aparência fotográfica e mostra mais detalhe do que o olho captaria de relance, como poro, penugem e reflexo mínimo. Exige papel liso, ponta muito fina e um número alto de camadas. É consequência de método e de horas, não de um material específico.

Lápis grafite

Lápis grafite é a mina de grafite envolvida em madeira, identificada por um código de dureza no corpo. Em desenho realista ele faz tanto o esboço leve, com as graduações duras, quanto as sombras fechadas, com as macias. A madeira permite apontar em ponta longa e trabalhar deitado, o que a lapiseira não permite.

Lapiseira

A lapiseira mantém a mesma espessura de traço do começo ao fim do desenho, sem precisar de apontador. As minas de 0,5 e 0,3 milímetro são as mais usadas para detalhe fino, como fio de cabelo e cílio. Para cobrir área ela é ruim, porque a mina fina risca o papel em vez de depositar tom.

Linhas diretrizes

Linhas diretrizes são os traços auxiliares e leves que marcam eixos, alturas e simetrias antes do desenho definitivo. São feitas com lápis duro e pouquíssima pressão, para sair depois sem deixar sulco. Funcionam como andaime: sustentam a construção enquanto ela sobe e desaparecem quando a forma já se sustenta sozinha.

Luz e sombra

Luz e sombra é a leitura que transforma contorno em volume: de onde vem a luz, qual face recebe, qual face vira, onde cai a sombra projetada e onde entra a luz refletida. Definir a direção da luz antes da primeira camada evita o erro mais comum, que é sombrear cada parte com uma luz diferente.

Mesa de luz

A mesa de luz é uma superfície iluminada por baixo que atravessa duas folhas e deixa ver o traçado da de baixo. Serve para transferir contorno e para refazer um desenho numa folha nova sem perder o que já estava certo. Com papel de gramatura alta a luz passa menos, então o traçado precisa estar bem marcado.

Observação

Observação é a habilidade de ver o que está mesmo na referência, e não o símbolo que a memória oferece no lugar. É por isso que tanta gente desenha o olho que imagina em vez do olho que está na foto. Medir, comparar distâncias e virar a imagem de cabeça para baixo são formas práticas de treinar.

Papel

O papel é a metade do resultado que quase ninguém considera na hora de comprar. Ele define quantas camadas o desenho aceita antes de saturar, o quanto o esfuminho suaviza e se a borracha limpa ou machuca. Gramatura baixa enruga e fura; textura grossa deixa aquele pontilhado branco no meio do tom fechado.

Papel Canson

Canson é uma das marcas de papel para desenho mais fáceis de encontrar no Brasil, com linhas de gramaturas e texturas diferentes. Vale olhar a linha específica, e não só o nome na capa: dentro da mesma marca existe papel de superfície lisa, boa para realismo, e papel granulado, feito para carvão e pastel.

Papel carbono

O papel carbono é a folha pigmentada que se coloca entre a referência e o papel de desenho para transferir o contorno pressionando por cima. Existe versão específica de grafite, que sai com a borracha; a de escritório deixa marca oleosa que não sai mais. Use pressão leve, senão o sulco fica marcado no papel.

Papel Fabriano

Fabriano é uma marca italiana de papel bastante usada em desenho a lápis, com linhas que variam de superfície lisa a bem texturizada. As versões de superfície lisa e gramatura média são as que mais aparecem em retrato realista, porque aceitam muitas camadas de grafite sem que a textura da folha apareça no meio do tom.

Papel liso

Papel liso é o de superfície fechada, com pouca granulação aparente, e é o preferido do desenho realista de retrato. Nele o grafite assenta uniforme, a transição fica sem pontinhos brancos e o detalhe fino não some. A contrapartida é que ele satura mais cedo: passou do ponto, a camada nova já não pega.

Papel sulfite

O sulfite é o papel comum de impressora, de gramatura baixa, e serve muito bem para estudo e treino diário. Ele aguenta poucas camadas, enruga se você esfumar com força e não perdoa borracha insistente. Para o desenho que você quer guardar ou emoldurar, vale migrar para um papel de gramatura maior.

Pelos

Pelos, no desenho realista, nunca se resolvem fio a fio desde o começo. Primeiro vem a massa escura por baixo, depois as mechas em blocos e só no fim alguns fios soltos por cima, com a caneta borracha e com a ponta fina. Desenhar todos os fios iguais é o que deixa o cabelo com cara de peruca.

Perspectiva

Perspectiva é o conjunto de regras que faz o espaço parecer profundo numa superfície plana: linhas que convergem, objetos que diminuem com a distância e planos que se sobrepõem. No retrato ela aparece disfarçada, na forma do encurtamento: um rosto inclinado tem testa maior e queixo menor do que a medida real do crânio.

Pincel

O pincel macio e seco, no desenho a lápis, serve para limpar resíduo de borracha e pó de grafite sem passar a mão pelo papel. A mão arrasta o pó pelas áreas claras e mancha o que estava limpo. Também dá para esfumar áreas grandes com ele, com um toque bem leve e circular.

Prancheta

A prancheta é a base rígida que mantém o papel plano e inclinado enquanto você desenha. A inclinação importa mais do que parece: desenhando na horizontal você vê o papel em perspectiva e distorce as proporções sem perceber. Com o desenho mais próximo do plano dos olhos, o erro de proporção diminui bastante.

Proporção

Proporção é a relação de tamanho e distância entre as partes do desenho, e é o que decide a semelhança de um retrato muito antes do acabamento. Um olho um pouco alto demais estraga um trabalho tecnicamente perfeito. A forma prática de conferir é medir por comparação, sempre usando uma parte do próprio desenho como unidade.

Quadriculado

O quadriculado é o método de dividir a referência e o papel na mesma malha de quadrados e desenhar quadrado por quadrado. Ele isola pequenas formas e desliga a interferência da memória, por isso ajuda tanto quem erra proporção. É apoio de treino: com o olho educado, a malha deixa de ser necessária.

Reflexo

Reflexo é a luz que rebate de uma superfície vizinha e volta para dentro da área de sombra, clareando a borda dela. É o que impede que a sombra vire um buraco preto e chapado. Regra prática que não falha: por mais claro que pareça, o reflexo é sempre mais escuro que qualquer área iluminada.

Régua

A régua entra no desenho realista para medir e comparar, não para traçar contorno. Ela confere alturas, larguras e alinhamentos do esboço, e serve de apoio para montar o quadriculado. Contorno de figura feito na régua fica duro e denuncia a mão: a linha do desenho é sempre desenhada à mão livre.

Sobrancelhas

As sobrancelhas são a faixa de pelos acima da órbita e mudam muito a expressão do retrato. Elas não são uma mancha uniforme: têm um tom de base por baixo e fios por cima, e a direção desses fios muda ao longo da faixa, subindo perto do nariz e deitando conforme se aproxima da têmpora.

Sombreamento

Sombreamento é o trabalho de tons que transforma um contorno plano em volume. Constrói-se por camadas leves, começando pelos meios-tons e guardando os pretos mais fechados para o final. O objetivo não é escurecer muito, e sim colocar cada tom exatamente onde ele está na referência, preservando o branco do papel onde a luz bate.

Técnica mista

Técnica mista é a combinação de mais de um material no mesmo desenho, como grafite na pele, carvão nas sombras mais fechadas e caneta gel branca nos brilhos. Cada material entra onde faz o que o outro não faz. O cuidado é de ordem: material que solta pó entra depois, senão ele contamina as áreas claras.

Textura

Textura é a informação de superfície que diz ao olho de que material a coisa é feita: pele, pano, metal, vidro, pelo. Ela nasce do tipo de marca e do contraste local, não da quantidade de detalhe. Metal tem passagem abrupta de claro para escuro; pele tem passagem lenta e brilho difuso, quase nunca duro.

Textura de pele

A textura de pele é o acabamento que impede que o rosto fique com aparência de plástico. Ela se constrói com camadas suaves de tom, poros sugeridos por pontinhos leves e irregulares e brilhos abertos com a caneta borracha. Poro desenhado em espaçamento regular chama mais atenção do que a pele lisa que você queria evitar.

Tonalidade

Tonalidade é o grau de claro e escuro de uma área, independente de qualquer cor. É ela, e não a quantidade de detalhe, que faz o desenho parecer real: um retrato com tons corretos funciona mesmo visto pequeno e de longe. Apertar os olhos diante da referência é a forma mais rápida de comparar tonalidades.

Tons escuros

Tons escuros são as faixas mais fechadas do desenho, e é onde a maioria dos trabalhos falha, ficando tudo num cinza médio. Escuro de verdade se constrói com lápis macio em várias camadas, e não apertando um lápis duro, que só marca sulco no papel. Sem o escuro pleno, o claro também não parece claro.

Traço

O traço é a marca que o lápis deixa no papel, e ele muda conforme a pressão, a ponta e a inclinação com que você segura o lápis. Traço leve permite corrigir e sobrepor; traço apertado marca sulco na fibra e não sai mais nem com borracha. No desenho realista, o traço bom é o que quase não se vê.

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