Técnica rústica x técnica suave: as diferenças entre esses dois estilos

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Assim como qualquer outra arte, o desenho realista a lápis busca o belo e a harmonia, mas existem muitas variações possíveis quanto à técnica e ao estilo. Nesse sentido, existe a chamada técnica rústica e também a técnica suave.

Alguns gostam do efeito mais granulado do sombreamento, mostrando a porosidade e o traço do lápis. Outros nem gostam de usar ferramentas para esfumar o grafite, trabalhando apenas com o lápis, conservando cada traço e a rusticidade do preenchimento.

No nosso caso, gostamos mais de buscar a suavidade no traço e no sombreamento, evitando deixar marcados o traço do lápis e a porosidade do papel. Seja qual for a sua escolha, ela se baseia apenas na sua preferência pessoal. Vamos trazer aqui algumas orientações básicas para lidar com qualquer um desses dois estilos.

Qual a diferença entre técnica rústica e técnica suave no desenho realista?

Técnica rústica e técnica suave são dois estilos distintos de acabamento no desenho realista. A rústica preserva a granulação do papel e o traço do lápis, gerando um resultado mais texturizado e vigoroso. A suave elimina traços visíveis e homogeneíza o sombreamento em camadas quase invisíveis, dependendo de papéis lisos e do controle refinado da mão. Uma não é superior à outra: cada estilo se encaixa em objetivos e etapas de aprendizado diferentes.

Exemplo de acabamento rústico com granulação visível no sombreamento

Técnica rústica

Pode-se alcançar um acabamento rústico tanto pelo uso de determinados tipos de lápis quanto do papel. Em papéis mais texturizados, é mais fácil alcançar esse efeito, mesmo quando se usa ferramentas para esfumar como lenço de papel, esfuminho ou pincel. A granulação do papel continuará aparente no sombreamento.

Em geral, é mais fácil trabalhar o sombreamento em papéis mais texturizados, pois a própria aspereza do papel melhora a aderência do grafite. Ele “solta mais grafite”, e com poucas passadas já é possível chegar ao tom desejado.

Esse acabamento é indicado para quem?

É indicado usar papéis mais texturizados para quem está iniciando na técnica do desenho realista, pois o desenhista iniciante sentirá mais facilidade de preenchimento e homogeneidade.

Alguns cuidados com a técnica rústica

É preciso tomar cuidado com a granulação em excesso. Quando o trabalho fica muito rústico pode não se tornar mais tão agradável ao olhar. Evite usar lápis muito macios e escuros como base geral.

Geralmente, papéis texturizados “lixam” o lápis mais rápido enquanto se está sombreando. Fique atento à condição da ponta: conforme ela fica chanfrada, vá virando o lápis para pegar uma parte mais afiada. Quando a ponta ficar curta e arredondada, aponte novamente para manter a mina afiada, o que ajuda o grafite a entrar nos poros do papel.

Em técnicas mais texturizadas pode ser interessante o uso do pincel, principalmente nas áreas mais escuras. Como são usados lápis mais escuros e macios, há uma tendência de granulação excessiva. Esfregar um pouco o pincel nessas áreas pode tornar o trabalho mais agradável.

Evite ficar apagando. Alguns papéis mais texturizados têm superfície mais frágil. Evite esfregar demais a borracha ou o esfuminho, pois pode rasurar.

Exemplo de acabamento suave e liso com transições homogêneas

Técnica suave e lisa

Para alcançar um acabamento mais liso é necessário usar papéis mais lisos. Os que mais gostamos de usar são os Bristol da Hahnemuehle e da Lana. Mas é possível usar qualquer papel bem liso próprio para desenho.

Esse acabamento é indicado para quem?

Um acabamento mais liso é mais difícil de alcançar. Exige certo controle e habilidade com o lápis, além de traço suave. É um estilo recomendado aos desenhistas mais avançados na técnica, pois exige muito mais controle da mão.

Alguns cuidados com a técnica suave

Papéis mais lisos costumam ser mais difíceis de escurecer. Use lápis mais escuros e macios desde as primeiras camadas. Em áreas muito escuras, vá direto com lápis bem escuros. Se iniciar com lápis mais claros, o papel vai saturando e depois não vai mais permitir escurecer, pois o grafite não “pega” direito.

Além da dificuldade em escurecer, os papéis mais lisos tornam o processo de sombreamento mais trabalhoso, pois é mais fácil ficar marcados os traços do lápis. É preciso trabalhar com muito mais cuidado para o sombreamento não ficar riscado.

Também é necessário fazer várias camadas de grafite, indo e vindo, passando o lápis, esfumando e retornando ao lápis, para igualar o sombreamento. É preciso escurecer as áreas que vão ficando mais claras, buscando um sombreamento homogêneo, sem manchas nem partes claras.

Evite usar a borracha para tirar manchas. Mesmo que em alguns casos o uso da borracha para tirar alguma mancha seja necessário, é preciso ter cuidado para não esfregar. Se usar a borracha, prefira a caneta borracha maior, aquela comum da Pentel com a ponta cortada em chanfro. Passe-a bem de leve e deitada, como um pincel, não para apagar, mas apenas para retirar o excesso de grafite. Algumas borrachas soltam um resíduo levemente oleoso que pode manchar o desenho. Verifique isso ao pegar na mão.

Não existe certo ou errado

É importante dizer que não existe certo ou errado, melhor ou pior, em questão de estilo rústico ou suave. Cada desenhista busca se desenvolver naquele estilo que mais se identifica, percebendo suas próprias limitações e os desafios de cada técnica.

Mas seja na técnica rústica ou na suave, sempre será necessário muita dedicação e treino para adquirir boa percepção dos materiais, dos tons e dos detalhes, além de um bom controle e leveza da mão. Se quiser aprofundar cada lado dessa decisão, veja 5 dicas para um sombreamento suave e como esfumar o grafite, dois pilares para dominar as duas técnicas.


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Perguntas Frequentes

Iniciante deve começar por técnica rústica ou suave?

Rústica. O papel texturizado usado na técnica rústica solta grafite com facilidade, o que reduz a barreira do preenchimento e permite ao iniciante focar em outras habilidades importantes, como proporção, luz e sombra e leveza da mão. A técnica suave exige controle refinado que só vem depois de horas de prática. Começar por ela costuma gerar frustração, com traços marcados e sombreamento desigual. O caminho natural é dominar o rústico primeiro, e migrar para o suave quando você já consegue prever exatamente o efeito de cada passada do lápis no papel.

Posso combinar as duas técnicas no mesmo desenho?

Sim, e muitos desenhistas fazem isso. Você pode aplicar a técnica suave nas áreas de pele, cabelo curto e fundo liso (onde o realismo depende de transições invisíveis), e aproveitar a técnica rústica em áreas de roupa, tecido áspero, elementos de cenário ou fundo intencionalmente texturizado. A chave é escolher um papel que suporte bem os dois estilos, geralmente um Fabriano 4L ou um Hahnemuhle Nostalgie, que têm textura média. Papéis extremos (muito lisos ou muito porosos) forçam um estilo único.

Como saber se meu papel é rústico ou suave o suficiente?

Passe o dedo suavemente sobre a superfície. Se sentir bastante aspereza, o papel é texturizado (bom para rústico). Se sentir liso quase como plástico, é bristol ou similar (bom para suave). Um teste mais preciso é fazer uma faixa de sombreamento com HB e observar: se o traço mostra pontinhos brancos entre o grafite mesmo depois de várias passadas, o papel é bem texturizado. Se o traço fica homogêneo em duas ou três passadas, o papel é liso. Papéis intermediários mostram textura suave e servem para os dois estilos com adaptações.

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