Técnica rústica x técnica suave: as diferenças entre esses dois estilos

Por Samuel Torres 16 de outubro de 2019

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Assim como qualquer outra arte, o desenho realista a lápis busca o belo e a harmonia, mas existem muitas as variações possíveis quanto à técnica e estilos. Nesse sentido, existe a chamada técnica rústica e também a técnica suave.

Uns gostam do efeito mais granulado do sombreamento, mostrando a porosidade e o traço do lápis. Mas há quem nem goste de usar ferramentas para esfumar o grafite, trabalhando apenas com o lápis, conservando assim cada traço e a rusticidade do preenchimento.

No nosso caso, gostamos mais de buscar a suavidade no traço e sombreamento, evitando deixar marcados o traço do lápis e a porosidade do papel.

Seja qual for a sua escolha, ela se baseia apenas na sua preferência pessoal, ou seja, aquele estilo que mais lhe agrada.

Sendo assim, vamos trazer aqui algumas orientações básicas para lidar com qualquer um desses dois estilos e técnicas. Continue a leitura!

Técnica rústica

Pode-se alcançar um acabamento rústico tanto pelo uso de determinados tipos de lápis, quanto ao papel utilizado.

Em papéis mais texturizados, é mais fácil alcançar esse efeito, mesmo quando se usa ferramentas para esfumar como lenço de papel, esfuminho ou pincel. Nesse caso, a granulação do papel continuará aparente no sombreamento.

Em geral, é mais fácil trabalhar o sombreamento em papéis mais texturizados, pois a própria aspereza do papel melhora a aderência do grafite. Ou seja, “solta mais grafite”. Assim, com poucas passadas, já é possível chegar ao tom desejado.

Esse acabamento é indicado para quem?

É indicado usar papéis mais texturizados os que estão iniciando na técnica do desenho realista, pois o desenhista iniciante sentirá mais facilidade de preenchimento e homogeneidade. 

Alguns cuidados com a técnica rústica

Só é preciso tomar cuidado com a granulação em excesso, pois quando o trabalho fica muito rústico pode não se tornar mais tão agradável ao olhar. Portanto, evite usar lápis muito macios e escuros.

Geralmente, papéis texturizados “lixam” o lápis mais rápido enquanto se está sombreando. Portanto, fique atento à condição da ponta do lápis, conforme for ficando chanfrada demais, vá virando pra pegar uma parte um pouco mais afiada. Depois, quando a ponta já estiver ficando curta e arredondada, vá apontando para que mantenha a mina sempre afiada, possibilitando o grafite entrar nos poros do papel. 

Em técnicas mais texturizadas pode ser interessante o uso do pincel, principalmente nas áreas mais escuras. Nessas áreas, como são usados lápis mais escuros e macios, há uma tendência de uma granulação excessiva. Por isso, esfregar um pouco o pincel nessas áreas pode tornar o trabalho mais agradável. 

Outra coisa: evite ficar apagando. Alguns papéis mais texturizados costumam ter uma superfície mais frágil, portanto, evite esfregar demais a borracha ou o esfuminho pois pode rasurar. 

Técnica suave e lisa

Para se alcançar um acabamento mais liso, é necessário usar papéis mais lisos. Os que mais gostamos de usar são os Bristol da Hahnemuehle e Lana. Porém, é possível usar qualquer papel bem liso. 

Esse acabamento é indicado para quem?

Um acabamento mais liso é mais difícil de se alcançar, portanto é necessário certo controle e habilidades com o lápis e um traço suave.

Nesse sentido, esse é um estilo recomendado aos desenhistas mais avançados na técnica, pois exigirá muito mais controle do desenhista. 

Alguns cuidados com a técnica suave

Papéis mais lisos costumam ser mais difíceis de escurecer, portanto use lápis mais escuros e macios, desde as primeiras camadas. Em áreas muito escuras, vá direto com lápis bem escuros, pois se iniciar com lápis mais claros, o papel vai saturando e depois não vai mais permitir escurecer, pois o grafite não “pega” direito. 

Além da dificuldade em escurecer, os papéis mais lisos tornam o processo de sombreamento mais trabalhoso, pois é mais fácil ficar marcados os traços do lápis. Nesses casos, é preciso trabalhar com muito mais cuidado para o sombreamento não ficar riscado. 

Bem como, é necessário fazer várias camadas de grafite, indo e vindo, passando o lápis, esfumando e tornando a passar o lápis, a fim de ir igualando o sombreamento. Nesse sentido, é preciso escureceras áreas que vão ficando mais claras, buscando alcançar assim um sombreamento homogêneo, sem manchas ou partes claras. 

Ah: evite usar a borracha para tirar manchas. Mesmo que em alguns casos o uso da borracha para tirar alguma mancha no sombreamento seja necessário, é preciso ter cuidado. Por isso, evite esfregá-la pois podem aparecer manchas.

Se usar a borracha, use a caneta borracha maior, essa comum da Pentel com a ponta cortada em chanfro. Passe-a bem de leve e deitada, como um pincel, não para apagar, de fato, mas apenas retirar o excesso de grafite.

Algumas borrachas limpas costumam soltar um resíduo meio oleoso, isso pode manchar o desenho. Portanto, tome cuidado com esse tipo de borracha. Ao pegar na mão, veja se ela solta algum resíduo ou não. 

Não existe certo ou errado

Para concluir, é importante dizer que não existe um certo ou errado ou melhor e pior em questão de estilo rústico ou suave de Desenho Realista. Cada desenhista busca se desenvolver naquele estilo que mais se identifica, percebendo suas próprias limitações e desafios próprios daquela técnica.

Mas, seja na técnica rústica ou na técnica suave, sempre será necessário muita dedicação e treino para adquirir boa percepção dos materiais, dos tons, detalhes e ao mesmo tempo um bom controle e leveza da mão. Até a próxima!

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