Como melhorar o contraste no desenho?

Por Samuel Torres 30 de outubro de 2019

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Como se sabe, no Desenho Realista a lápis se trabalha as sombras, preservando o próprio branco do papel nas áreas de brilho. Sendo assim, quanto maior a diferença entre o tom claro e o escuro, maior será o contraste no desenho.

Em geral, desenhos com maiores contrastes chamam a atenção e parecem “mais vivos”. Enquanto isso, desenhos opacos, sem brilho ou sem tons escuros parecem apagados e sem graça.

Vem então a seguinte questão: como alcançar mais contraste no desenho? Nesse contexto, dois problemas são recorrentes: o medo de escurecer o desenho e a dúvida sobre quais materiais usar.

Por isso, siga a leitura e descubra as respostas para esses dois questionamentos. Continue conosco!

O medo de escurecer o desenho

Geralmente, é comum ter medo de escurecer um desenho no começo do aprendizado. Ficamos com medo de forçar e depois não conseguir apagar, estragando assim o desenho. Nesse sentido, é recomendado começar o desenho com traços mais leves, pois fica fácil corrigir caso precise mudar algo. Depois, é preciso jogar tons mais escuros aos poucos, modelando o desenho com camadas de grafite e dando volume às formas. 

Porém, sempre chega aquele ponto em que já se trabalhou com os tons claros e chegou a um bom resultado. É nessa etapa que olhamos o desenho e pensamos: “já ficou bom assim, acho que vou deixar assim mesmo”. Ao mesmo tempo, vem aquele medo de escurecer mais e estragar

No entanto, para conseguir resultados cada vez mais expressivos no desenho, é necessário superar esse medo e trabalhar sim os tons escuros, mesmo que corra o risco de estragar o desenho.

Assim, ao explorar tons mais escuros, você valoriza os pontos de brilho no desenho, pois o que faz o brilho se destacar é justamente a sombra em volta. Portanto, quanto mais escura for a sombra, mais destaque vai ter o brilho. 

Alguns cuidados

Nas primeiras camadas claras, não force demais o lápis tentando chegar ao tom. Se notar que o lápis não está chegando no tom que você gostaria, mude para um lápis um pouco mais escuro.

Os lápis claros são mais duros por conter maior concentração de argila em sua composição, portanto são mais duros e secos. Ao passá-los muitas vezes sobre o papel, ele alisa demais sua textura, de modo que não aceita mais camadas de grafite. Quando isso acontece, você passa o lápis e parece que não escurece mais. Se continuar forçando pode até estragar o papel.

Nas áreas escuras, não é necessário fazer camadas claras antes de escurecer, especialmente em papéis mais lisos. Quando o papel for mais texturizado, aí sim é importante fazer ao menos uma camada mais clara. Assim, irá alisar um pouco os poros do papel, mas uma camada suave e já partindo para um lápis mais escuro.

Já em regiões de preto absoluto é recomendado trabalhar direto com o lápis mais escuro, independente do tipo de papel. 

Quais materiais devo usar para obter um maior contraste?

Lápis grafite

O lápis grafite, como se sabe, não chega a um tom realmente preto. Ele chega ao máximo num tom cinza escuro, portanto, para alcançar tons bem escuros, é recomendado usar as graduações mais altas de “B”, normalmente acima de 6B

Algumas marcas apresentam resultados diferentes de tons, mesmo quando são da mesma graduação. Por exemplo: Os lápis Faber-Castell costumam ser mais claros que outros importados que usamos, como os Staedtler. Portanto, quando se está usando lápis Faber, é interessante explorar as graduações mais altas, acima de 6B para chegar a um tom bem escuro.

Mesmo usando um lápis escuro, é necessário forçá-lo um pouquinho pra que chegue ao seu tom máximo. 

Algumas marcas de lápis grafite oferecem graduações com tons mais escuros, como os lápis Caran D’ache e os Mitsubishi. No caso dos Mitsubishi, há graduação até 10B, que é bem escuro e macio. Porém, lápis dessas marcas são caros e relativamente difíceis de encontrar. 

Uma recomendação minha é o lápis Onix Dark da marca Derwent. Com ele é possível alcançar aquele tom um pouco mais escuro que faz a diferença no desenho. Esse é um lápis à base de grafite mas que chega a um tom um pouco mais escuro que os demais.

Por ter uma mina bem firme, diferente dos outros lápis grafite mais escuros, permite usá-lo por cima de camadas anteriores de grafite. Forçando um pouco por cima de onde já estava escuro, você consegue escurecer um pouco mais, alcançando mais profundidade nas áreas de sombra. 

Lápis carvão

Quando já se está usando todos os recursos de lápis grafite e mesmo assim não se sente satisfeito com o contraste, a recomendação é o uso de lápis carvão. Ele permite chegar a um tom realmente preto

Primeiramente, vale salientar que é importante desenvolver a técnica do desenho realista primeiro com lápis grafite. Assim, pode-se alcançar um bom domínio e controle dos lápis, e ao mesmo tempo a leveza na mão. Só depois que já estiver dominando a técnica, comece a se aventurar no uso do carvão. 

O lápis carvão não pega muito bem por cima do grafite, portanto, é recomendado usá-lo primeiro. Exemplo: primeiro, preencher de preto com o lápis carvão nas partes totalmente escuras, deixando já com o próprio carvão, um degradê para facilitar a transição para o grafite nas partes mais claras. 

Os lápis carvão costumam soltar bastante pó durante o uso e mesmo depois. Logo, se passar o dedo sobre uma parte sombreada com carvão você vai notar que suja o seu dedo. Portanto, é importante trabalhar com cuidado para que não suje outras partes no desenho. Assim, trabalhe sempre com uma folha limpa de papel sulfite entre sua mão e o desenho e evite esfregá-la sobre o papel. 

Os lápis de carvão com aditivos

Outro tipo de lápis que usamos e recomendamos são os lápis mistos de carvão com aditivos, ou então de carvão misturado com grafite. São eles: Cretacolor Nero Extrasoft, Gioconda Negro, Staedtler Black, entre outros. Esses lápis oferecem o tom negro do carvão puro, mas sem o problema de soltar tanto pó, como acontece com o carvão tradicional. 

A forma de usá-lo é semelhante à do carvão comum. Deve-se utilizá-lo antes de aplicar camadas de grafite, pois não costumam pegar muito bem por cima de onde já foi sombreado com o lápis grafite. Porém, alguns são mais encerados, como o Nero da Cretacolor e podem pegar por cima do grafite, desde que o papel não esteja saturado demais. 

Os tipos de papéis

Tão importante quanto saber quais materiais usar, é saber quais são os papéis ideais e como eles interferem no tom e no contraste do desenho

Os papéis mais texturizados costumam facilitar a conquista de tons mais escuros, pois o grafite adere melhor à superfície. Logo, escurece mais fácil e consequentemente é possível chegar a um bom contraste, mesmo usando lápis grafite.

Os papéis levemente texturizados que recomendamos são o Canson Desenho Escolar de gramatura 140, o Hahnemuhle Nostalgie e o Fabriano 4L. São ótimos pra quem está iniciando no Desenho Realista pela facilidade de sombrear e de chegar aos tons mais escuros. 

Por outro lado , os papéis mais lisos oferecem um bom acabamento liso e suave, mas dificulta o sombreamento homogêneo e também a chegar aos tons mais escuros. Por isso, nesses papéis é recomendado usar lápis grafite mais macios e escuros. Bem como, o uso de lápis carvão junto com grafite nesse tipo de papel cai muito bem. 

Os que usamos e recomendamos são Lana Bristol, Hahnemuhle Bristol e Winsor & Newton Bristol, mas pode ser qualquer papel liso próprio para desenho.

Alguns alunos de nosso Curso Virtual usam o Fabriano Escolar Liso, o Canson Bristol, Fabriano Bristol, entre outros. São papéis mais complicados de se trabalhar pois exigem maior habilidade do desenhista, mas depois de dominá-la, possibilita excelentes resultados nos desenhos. 

Áreas de brilho no desenho realista

Para finalizar, além do conhecimento e cuidado ao trabalhar com os diferentes tipos de papéis e de lápis, é muito importante salientar o cuidado que se deve ter com as áreas de brilho no desenho.

Evite sombrear áreas que terão um brilho intenso, pois mesmo apagando depois, jamais voltará ao branco puro do papel. Nesse caso, é bom reservar o branco do papel sem sombrear. 

Alguns papéis, principalmente os texturizados, não apagam muito bem. Logo, ao usar a borracha pra fazer efeitos de luz, você vai notar que o branco do papel não volta, ficando com pouco destaque aqueles pontos de luz. 

Nesse sentido, papéis mais lisos costumam apagar melhor, oferecendo portanto uma melhor resposta à borracha ao fazer os efeitos de brilho. 

E então, já se sente mais motivado para alcançar mais contraste em seus desenhos? Você pode começar a testar algumas das dicas mencionadas acima, principalmente a deixar o medo de lado e colocar mais força na mão ao sombrear. Assim, o lápis chegará a tons mais escuros e você vai ver como seus desenhos vão se destacar! Boa sorte!

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