Como melhorar o contraste no desenho?

Como se sabe, no desenho realista a lápis se trabalham as sombras, preservando o próprio branco do papel nas áreas de brilho. Quanto maior a diferença entre o tom claro e o escuro, maior será o contraste no desenho.

Em geral, desenhos com maiores contrastes chamam a atenção e parecem “mais vivos”. Desenhos opacos, sem brilho ou sem tons escuros, parecem apagados e sem graça. Vem então a seguinte questão: como alcançar mais contraste no desenho? Dois problemas são recorrentes: o medo de escurecer e a dúvida sobre quais materiais usar.

Como melhorar o contraste no desenho realista?

Melhorar o contraste no desenho realista significa aumentar a diferença entre as áreas mais claras (brilho, papel branco) e as mais escuras (sombras profundas), o que dá vida e volume ao trabalho. Depende de superar o medo de escurecer, usar as graduações de lápis certas para cada faixa de tom, escolher papéis adequados e reservar as áreas de brilho intocadas desde o começo do desenho.

O medo de escurecer o desenho

Geralmente é comum ter medo de escurecer um desenho no começo do aprendizado. Ficamos com medo de forçar e depois não conseguir apagar, estragando assim o trabalho. É recomendado começar com traços mais leves, o que facilita a correção caso precise mudar algo. Depois, é preciso jogar tons mais escuros aos poucos, modelando o desenho com camadas de grafite e dando volume às formas.

Sempre chega aquele ponto em que já se trabalhou com os tons claros e o resultado ficou razoável. É nessa etapa que olhamos o desenho e pensamos: “já ficou bom assim, acho que vou deixar assim mesmo”. Ao mesmo tempo, vem aquele medo de escurecer mais e estragar.

Para conseguir resultados cada vez mais expressivos, é necessário superar esse medo e trabalhar os tons escuros, mesmo que corra o risco de estragar. Ao explorar tons mais escuros, você valoriza os pontos de brilho no desenho. O que faz o brilho se destacar é justamente a sombra em volta. Quanto mais escura for a sombra, mais destaque terá o brilho.

Alguns cuidados

Nas primeiras camadas claras, não force demais o lápis tentando chegar ao tom. Se notar que o lápis não está atingindo o tom que você gostaria, mude para um lápis um pouco mais escuro.

Os lápis claros são mais duros por conter maior concentração de argila em sua composição. Ao passá-los muitas vezes sobre o papel, ele alisa demais sua textura, de modo que não aceita mais camadas de grafite. Quando isso acontece, você passa o lápis e parece que não escurece mais. Se continuar forçando, pode até estragar o papel.

Nas áreas escuras, não é necessário fazer camadas claras antes de escurecer, especialmente em papéis mais lisos. Em papéis texturizados, sim, é importante fazer ao menos uma camada mais clara para alisar um pouco os poros do papel antes de partir para um lápis mais escuro. Já em regiões de preto absoluto, é recomendado trabalhar direto com o lápis mais escuro, independente do tipo de papel.

Quais materiais usar para obter mais contraste

Lápis grafite

O lápis grafite não chega a um tom realmente preto. Ele chega, no máximo, a um tom cinza escuro. Para alcançar tons bem escuros, é recomendado usar as graduações mais altas de “B”, normalmente acima de 6B.

Algumas marcas apresentam resultados diferentes de tons, mesmo quando são da mesma graduação. Por exemplo, os lápis Faber-Castell costumam ser mais claros que outros importados como os Staedtler. Ao usar Faber, vale explorar as graduações mais altas, acima de 6B, para chegar a um tom bem escuro. Mesmo usando um lápis escuro, é necessário forçá-lo um pouco para chegar ao tom máximo.

Algumas marcas oferecem graduações com tons mais escuros, como os lápis Caran d’Ache e os Mitsubishi. No caso dos Mitsubishi, há graduação até 10B, bem escuro e macio. Lápis dessas marcas são caros e relativamente difíceis de encontrar.

Uma recomendação para escurecer mais é o Onix Dark da marca Derwent. Com ele é possível alcançar aquele tom um pouco mais escuro que faz a diferença no desenho. É um lápis à base de grafite, mas que chega a um tom um pouco mais fechado que os demais. Por ter uma mina firme, permite usá-lo por cima de camadas anteriores de grafite. Forçando um pouco por cima das áreas já escurecidas, você consegue alcançar mais profundidade nas áreas de sombra.

Lápis carvão

Quando já se está usando todos os recursos de lápis grafite e mesmo assim não se sente satisfeito com o contraste, a recomendação é o uso de lápis carvão. Ele permite chegar a um tom realmente preto.

Vale salientar que é importante desenvolver a técnica do desenho realista primeiro com lápis grafite. Assim se alcança bom domínio e controle dos lápis, além da leveza na mão. Só depois que já estiver dominando a técnica, comece a se aventurar no uso do carvão.

O lápis carvão não pega muito bem por cima do grafite. É recomendado usá-lo primeiro. Preencha de preto com o carvão nas partes totalmente escuras, deixando já um degradê para facilitar a transição para o grafite nas partes mais claras.

Os lápis carvão costumam soltar bastante pó durante o uso e mesmo depois. Se passar o dedo sobre uma parte sombreada com carvão, você vai notar que suja o seu dedo. É importante trabalhar com cuidado para não sujar outras partes do desenho. Trabalhe sempre com uma folha limpa de papel sulfite entre sua mão e o desenho e evite esfregá-la sobre o papel.

Os lápis de carvão com aditivos

Outro tipo de lápis são os lápis mistos de carvão com aditivos, ou de carvão misturado com grafite. Alguns exemplos: Cretacolor Nero Extrasoft, Gioconda Negro, Staedtler Black. Esses lápis oferecem o tom negro do carvão puro, mas sem o problema de soltar tanto pó como acontece com o carvão tradicional.

A forma de usá-lo é semelhante à do carvão comum. Aplique antes das camadas de grafite, pois esses lápis não costumam pegar bem por cima do grafite já assentado. Alguns são mais encerados, como o Nero da Cretacolor, e podem pegar por cima do grafite, desde que o papel não esteja saturado demais.

Os tipos de papéis

Tão importante quanto saber quais materiais usar é saber quais são os papéis ideais e como eles interferem no tom e no contraste do desenho.

Os papéis mais texturizados costumam facilitar a conquista de tons mais escuros, pois o grafite adere melhor à superfície. Os papéis levemente texturizados recomendados são o Canson Desenho Escolar de gramatura 140, o Hahnemuhle Nostalgie e o Fabriano 4L. São ótimos para quem está iniciando pela facilidade de sombrear e de chegar aos tons mais escuros.

Por outro lado, os papéis mais lisos oferecem um bom acabamento suave, mas dificultam o sombreamento homogêneo e a chegada aos tons mais escuros. Nesses papéis é recomendado usar lápis grafite mais macios e escuros desde o início. Bem como o uso de lápis carvão junto com grafite. Os papéis lisos que recomendamos são Lana Bristol, Hahnemuhle Bristol e Winsor & Newton Bristol, mas pode ser qualquer papel liso próprio para desenho.

Áreas de brilho no desenho realista

Para finalizar, além do cuidado ao trabalhar com os diferentes tipos de papéis e de lápis, é muito importante salientar o cuidado que se deve ter com as áreas de brilho no desenho.

Evite sombrear áreas que terão um brilho intenso, pois mesmo apagando depois, jamais voltará ao branco puro do papel. É bom reservar o branco do papel sem sombrear. Alguns papéis, principalmente os texturizados, não apagam bem. Ao usar a borracha para fazer efeitos de luz, você vai notar que o branco do papel não volta, ficando com pouco destaque aqueles pontos de luz. Papéis mais lisos costumam apagar melhor, oferecendo melhor resposta à borracha ao fazer os efeitos de brilho.

Você pode começar a testar essas dicas, principalmente a de deixar o medo de lado e colocar mais força na mão ao sombrear. Se quiser aprofundar em técnicas complementares, veja também como alcançar os tons escuros mais intensos e o guia sobre por que se perde contraste no desenho realista.


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Perguntas Frequentes

Preciso de lápis carvão para fazer desenho realista?

Não. Muitos desenhistas realistas trabalham exclusivamente com lápis grafite, incluindo em nível profissional. O carvão é uma ferramenta a mais para quem quer chegar a pretos absolutos ou tons muito profundos que o grafite não alcança sozinho. Se você ainda está desenvolvendo a técnica, comece com um conjunto de grafite (2H ao 8B, por exemplo) e domine o controle da leveza antes de introduzir carvão. Ele acrescenta profundidade, mas também acrescenta complexidade: solta pó, mancha o papel com facilidade e não se mistura bem com o grafite. É upgrade, não requisito.

Qual a diferença entre lápis grafite 6B, 8B e 10B?

A letra B indica o grau de maciez do grafite, e o número indica a intensidade. Quanto maior o número, mais macio e mais escuro o traço. 6B produz cinza escuro com boa cobertura, adequado para a maioria das áreas de sombra. 8B é mais macio, cobre com menos passadas mas satura o papel mais rápido. 10B é bem macio, quase pastoso, escurece muito mas é difícil de controlar e desgasta a ponta em segundos. Na prática, um kit com 2H, HB, 2B, 4B, 6B e 8B cobre praticamente qualquer necessidade. Ir além disso é escolha estilística, não técnica.

Como saber se o papel escolhido é bom para contraste?

Faça um teste rápido antes de começar o desenho definitivo. Pegue uma folha do papel escolhido e um lápis 6B. Sombreie uma faixa uniforme com pressão moderada, tentando chegar ao tom mais escuro possível. Se a faixa fica bem escura e você percebe que ainda há espaço para uma segunda camada ainda mais escura, o papel aceita bem contraste. Se a faixa já satura rápido e o lápis “desliza” sem escurecer mais, o papel é limitado para desenho de alto contraste, ou seja, útil para estilos suaves e claros, mas problemático para hiper-realismo com pretos profundos.

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