Resenha: conhecendo o papel Hahnemühle Bristol

Por Maira Poli 10 de abril de 2019

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Resenha: conhecendo o papel Hahnemühle Bristol
Resenha: conhecendo o papel Hahnemühle Bristol
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Antes de mais nada eu preciso confessar: num primeiro contato, detestei o papel Hahnemühle Bristol! Porém, como boa desenhista que procuro ser, dei a ele mais uma chance e desgostei menos. Ainda preciso explorar mais a minha técnica em relação a ele, mas acompanhe como foi esse processo!

Características do papel Hahnemühle Bristol

O papel para desenho Hahnemühle do tipo Bristol é um papel liso e branco, com gramatura de 250g/m2. Se você conhece outros papéis para desenho e já teve contato com o Lana Bristol, ambos agora da mesma empresa, vai sentir a semelhança entre eles. Com um porém: o Hahnemühle Bristol é ainda mais liso.

Quero compartilhar dois erros que cometi e que são importantes não somente para o uso desse papel para desenho em específico, mas também para qualquer outro tipo de técnica ou material: ser ansiosa e teimosa!

Resenha: conhecendo o papel Hahnemühle Bristol

No primeiro teste eu já comecei a sentir a resistência no material. Comentei com o Charles Laveso, que também estava desenhando (imagem acima) sob o mesmo papel para desenho e relatou não estar sentindo diferença. Pensei: “se ele fez acontecer, eu também consigo”!

Cuidados para se tomar ao utilizar o Hahnemühle Bristol

Quando comecei a trabalhar o sombreamento de base, estava caminhando tudo bem. Ele aceita bem o grafite, espalha bem com as técnicas de esfumar, porém, na repetição de camadas é que comecei a sentir que estava desenhando sob cera. E nesse ponto é que fui ansiosa! Não parei para pensar sobre o que o papel estava pedindo.

Sabendo que um papel liso pede um outro tipo de técnica mais macia, eu escolhi o lápis errado e a técnica errada. Escolhi um lápis para desenho que tem como característica maior rigidez do grafite e escolhi, ainda, as graduações mais duras. Na ansiedade em testar ambos os materiais acabei me deparando com o encontro de um lápis rígido num papel liso. Fica a dica: não dá certo!

O papel já é liso e ainda usamos um grafite rígido, é como desenhar num papel encerado, não há aderência. E é aí que vem o segundo erro, pois fui teimosa o suficiente em continuar tentando esse casamento que já estava fadado ao fracasso e veio a frustração!

Resenha: conhecendo o papel Hahnemühle Bristol

No segundo teste fui mais consciente e escolhi uma das marcas com grafite mais macio que tenho à minha disposição e me decidi por graduações mais macias (B, 2B). O desenho fluiu, sem maiores dificuldades.

O que aprendi com meus erros

Portanto, podemos tirar algumas lições dessa experiência:

  1. Se o papel é liso, procure trabalhar com lápis e graduações mais macias, pois a aderência será melhor. Desta forma, o  papel Hahnemühle Bristol lhe conduz a um bom acabamento e contraste;
  2. Devido à maciez do grafite, o trabalho não ficará poroso, pois as ferramentas de esfumar deslizam com facilidade sob esse papel;
  3. Para os escuros intensos é a mesma dica para papéis lisos: trabalhar direto com o lápis macio, talvez mais de uma camada, não usando esfuminho e fixando com o pincel;
  4. Se você tem a possibilidade de escolher, não precisa procurar pelos materiais mais caros ─ desde que você aprenda a decidir. Os lápis rígidos com que eu trabalhei, lá no primeiro teste, se adaptam muito bem a um papel mais poroso, como o Canson C a grain de 224g/m2. Ao mesmo tempo em que a rigidez da mina irá achatar a porosidade, essa mesma textura do papel irá absorver bem o grafite.

Enfim, seja flexível e consciente! Procure ter um conhecimento técnico do Desenho Realista para que você saiba reconhecer as características dos materiais e saiba fazer suas próprias escolhas de acordo com as adaptações necessárias.

Para isso, é preciso se abrir a novas possibilidades e experiências para que você descubra novos caminhos para se chegar ao mesmo resultado ou ainda melhor.

Concluindo

Sentiu essa diferença? Eu não preciso mudar o material. Essa história de “o material não é bom” já não faz mais sentido.

O conhecimento técnico é uma das características que procuramos passar em nossas aulas no Curso Virtual para Iniciantes e que fazem desses alunos desenhistas diferenciados no mercado. Quem aprender a técnica, vai se abrir a muitas possibilidades.

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