A importância do desenho no desenvolvimento da criança

Em um dos grandes clássicos da literatura, O Pequeno Príncipe, já nas primeiras páginas nos deparamos com o caso do “desenho da jiboia”. A criança explica os rabiscos incompreendidos pelas “pessoa grandes”.

“(…) fiz, com lápis de cor, o meu primeiro desenho. O meu desenho número 1. Ele era assim:

A importância do desenho no desenvolvimento da criança

Mostrei minha obra-prima à pessoas grandes e perguntei se meu desenho lhes dava medo. Responderam-me: “Por que um chapéu daria medo?” Meu desenho não representava um chapéu. Representava uma jiboia digerindo um elefante.”

Esse pequeno trecho deve ser familiar mesmo àqueles que não leram o livro, mas que tenha contato com crianças que mostram empolgadas seus rabiscos e desatam a explicá-lo às “pessoas grandes”, que parecem não ver a grande narrativa oculta pelos traços.

O desenho é uma das primeiras formas de expressão do ser humano e tem papel importantíssimo no desenvolvimento da criança, sendo até mesmo considerado um raio-x da evolução interna dos pequenos, refletindo a forma como enxergam o mundo e aquilo que os cerca.

Como o desenho impacta o desenvolvimento infantil?

O desenho é ferramenta crítica entre 0-12 anos para desenvolvimento cognitivo, motor, emocional e comunicativo, evidenciando evolução interna através de estágios previsíveis: garatujas, transparências, realismo. Crianças que desenham regularmente desenvolvem maior inteligência emocional, observação aguçada, e confiança artística. Abandonar desenho na alfabetização prejudica desenvolvimento.

Os estágios do desenho durante a infância

Há quem diga que a arte é inerente ao ser humano: antes de falar, a criança balbucia canções; antes de dar os primeiros passos, se apoia para dançar e antes de escrever, desenha.

Essa máxima ainda é discutida entre os estudiosos, alguns defendendo que o desenho é natural e a influência visual empobrece a produção, fazendo com que a criança acredite que não sabe desenhar até que pare de produzir com o tempo.

Enquanto isso, a teoria mais aceita é a de que acontece justamente o oposto: o desenho existe como forma de a criança representar o seu repertório visual. E, assim como todo aprendizado, o desenho também evolui com o tempo, à medida em que a criança vai descobrindo noções de profundidade, espaço e também detalhes, inclusive da figura humana.

A importância da figura humana

A figura humana é um bom exemplo de como o desenho pode evidenciar o desenvolvimento da criança. Ao começar a representar pessoas, é comum observarmos bonecos-palito, com uma cabeça redonda um pouco desproporcional e alguns traços que definem o tronco e os membros.

À medida em que a criança começa a ter uma melhor noção do próprio corpo, o desenho se torna mais completo, com acréscimo de detalhes como orelhas e dedos.

Conheça agora os estágios mais evidentes dos desenhos durante o desenvolvimento da criança!

Garatujas

É como são chamados os primeiros rabiscos. São uma fase importante no desenvolvimento da criança, auxiliando na coordenação motora ao ser necessário o movimento de pinça com polegar e indicador para segurar o lápis ou giz de cera. Essa fase dura desde o momento em que a criança consegue segurar o primeiro instrumento de desenho e vai até que novos estágios e detalhes se apresentem.

Nesta etapa, a criança sente prazer em ver o efeito que causa sobre o papel e, mesmo que você não entenda as representações, o desenho é a forma de expressar a vida e seus pensamentos.

Estágios do desenho infantil: garatujas, transparências e realismo

Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria da Universidade King’s College London conduziram experimento reunindo 15.504 crianças aos 4 anos para desenho. Dez anos depois, testes de inteligência revelaram que crianças que melhor pontuaram aos 4 anos tiveram também melhor desempenho intelectual futuro.

Transparências

Em O Pequeno Príncipe, após a frustração com a resposta dos adultos, a criança percebeu que precisava ser mais didática. “Desenhei então o interior da jiboia, a fim de que as pessoas grandes pudessem entender melhor.”

Transparência em desenho infantil: mostrar interior através das paredes

No desenho acima, o Pequeno Príncipe se utilizou do recurso da transparência para explicar aos adultos, assim como muitas crianças a partir dos 5 anos. É comum que busquem representar não apenas o objeto, mas tudo que se refere a ele: uma grávida onde se pode ver o bebê dentro da barriga ou uma casa onde se pode ver os objetos interior através das paredes.

Realismo

À medida em que o desenvolvimento avança e a criança passa a ter mais noção da sua realidade e do mundo ao seu redor, os desenhos tendem a ficar mais realistas e os traços mais firmes.

Ao desenhar uma casa, já se tem as janelas alinhadas às portas. Este momento exige bastante atenção dos pais: normalmente, é por volta dessa fase que as crianças deixam de desenhar, uma vez que passam a ser cobradas por realismo e beleza.

Mesmo que o desenho seja um reflexo do desenvolvimento da criança, é importante que se compreenda que não existe um desenvolvimento linear para a arte. Pode ser que a criança volte a fazer garatujas mesmo depois de já ter desenhado o corpo humano completo. Não existe um checklist a ser cumprido. O importante é deixar que ela se expresse.

Os reflexos do desenho no desenvolvimento da criança

Mas, de que maneira o ato de desenhar pode impactar no desenvolvimento da criança? Veja só alguns dos benefícios:

  • Expressa emoções: crianças não sabem como lidar com emoções complicadas como frustração, medo ou solidão. O desenho é uma ótima maneira de colocarem os sentimentos para fora, formando pessoas com maior inteligência emocional.
  • Comunicação: a criança se expressa, representa sua vida e tudo o que a cerca.
  • Estimula o cérebro: ao fazer com que a criança procure representações gráficas para a sua realidade, o cérebro trabalha e fica mais observador.
  • Desenvolve o autoconhecimento: ajuda a criança a explorar seus sentimentos e expressá-los, se conhecendo melhor e contribuindo para diminuir o estresse.
  • Coordenação motora: ajuda a ter firmeza ao segurar objetos e permite que explore diversos movimentos diferentes ao desenhar.

Alfabetização e Desenhos: como conciliar

É bem comum os pais perceberem que os desenhos diminuem na medida em que a criança começa a ser alfabetizada. Isso ocorre por dois motivos: o primeiro é que a criança começa a comparar as suas produções com outras e se desmotiva. O segundo é que o ambiente escolar também pode colaborar para que se deixe o desenho de lado, dando muito mais ênfase às disciplinas “tradicionais”.

E o Pequeno Príncipe também passou por isso: “As pessoas grandes aconselharam-me a deixar de lado os desenhos de jiboias abertas ou fechadas e a dedicar-me de preferência à geografia, à história, à matemática, à gramática. Foi assim que abandonei, aos seis anos, uma promissora carreira de pintor”.

Então, estimule seu filho oferecendo lápis, papel, giz de cera e outros materiais para que ele possa se expressar e se desenvolver de maneira lúdica e artística. Um bom incentivo na fase do realismo, caso a criança demonstre interesse, é levá-lo a cursos de desenho, onde poderá aprender técnicas que vão aprimorar o trabalho e garantir o estímulo que ele precisa para continuar se desenvolvendo.

Perguntas Frequentes

A partir de qual idade devo estimular desenho?

Desde o nascimento. Bebês a partir de 6-12 meses já podem começar com rabiscos livres (garatujas). A partir de 18 meses, ofereça lápis grossos, giz de cera grande e papel. Crianças de 2-3 anos já fazem garatujas com intenção. De 3-5 anos emergem formas reconhecíveis. De 5+ anos surgem transparências e realismo. Não existe idade “certa” para deixar de desenhar, mas a educação formal com frequência desestimula. Contorne isto oferecendo materiais e valorização.

E se meu filho disser que não sabe desenhar?

Reafirme que desenho é expressão, não perfeição. Desenhos “feios” são tão válidos quanto “bonitos”. Muitas crianças abandonam desenho aos 6-8 anos porque começam a comparar com outras ou com fotos. Seu papel é criar ambiente seguro onde a criança desenhe sem julgamento. O professor Charles Laveso frequentemente diz: “um desenho desajeitado feito com alegria é mais valioso que uma cópia perfeita sem emoção”.

Desenho realista é apropriado para crianças?

Sim, com moderação e sem pressão. Crianças maiores (8+) podem aprender técnicas realistas se demonstrarem interesse. O importante é não forçar. Deixe que a criança escolha. Cursos de desenho infantil devem ser lúdicos, não competitivos. Observe: se a criança ama desenhar e pede para aprender técnicas, ofereça. Se resistir, respeite. O prazer é prioridade, nunca a perfeição.

Conheça um pouco mais sobre benefícios que o Curso de Desenho Realista pode trazer à sua vida pessoal. Boa leitura!

Vídeos Recomendados

Deixe um comentário

Rolar para cima