Desenho na terapia: como ele pode ajudar?

Por Charles Laveso 26 de abril de 2019

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Desenho na terapia: como ele pode ajudar?

Um simples desenho no papel tem muitos significados. Ele nos permite expressar sentimentos mais profundos ─ por isso o desenho na terapia é um recurso capaz de gerar grandes resultados.

O conceito disso é a junção de duas palavras: arte e terapia, formando a arteterapia. De uma forma simples, ela é a expressão artística dos nossos pensamentos, emoções, ideias e opiniões.

Através do desenho, por exemplo, conseguimos nos conhecer ao estimular nossa capacidade de pensar e auxiliar o relacionamento intra e interpessoal.

A arteterapia e suas ferramentas

O processo terapêutico é aquele que leva o homem ao encontro de seu bem mais precioso:  ele mesmo. Mas nem sempre este caminho é fácil. Ele pode ser complicado e doloroso, o que muitas vezes leva à insegurança.

Nesse sentido, a arteterapia pode ser vista como uma carruagem que ajuda a transportar um indivíduo enfraquecido até o outro lado da ponte, onde possa estar mais seguro. Neste percurso existem barreiras e dificuldades, mas há também o apoio e a proteção.

Os meios artísticos utilizados pela arteterapia são todos aqueles que conseguimos imaginar: desenhos, pinturas, fotografias, colagens, esculturas, e por aí vai.

Através dessas variadas expressões artísticas o indivíduo tem a oportunidade de olhar para si sem que isso lhe doa tanto. Ele tem todo um momento para assimilar sua obra e entendê-la, antes de perceber que ali está um retrato de sua alma.

Psicologia da arte

Existem alguns aspectos que ligam a psicologia geral a chamada psicologia da arte, como a emoção, a memória, o pensamento e a linguagem.

Psicologia da arte nada mais é do que um campo da psicologia dedicado ao estudo dos fenômenos da criação artística a partir de uma perspectiva psicológica.

Isso acontece na medida em que a arte é capaz de libertar a subjetividade do indivíduo. Deste modo, é possível usar a arte para resolver conflitos, problemas de comunicação, dificuldades de expressão e muitos outros aspectos psicológicos.

O desenho na infância à vida adulta

Antes mesmo de saber escrever, as crianças desenham e projetam nos desenhos alguns conteúdos nelas inconscientes, ou seja, um plano mais profundo e oculto do pensamento.

Um dado importante é que, quando a criança desenha, ela materializa a imagem que criou internamente de acordo com as suas emoções. Portanto, ela expressa no papel o significado e o sentido que vê nos objetos, ou seja, ela não desenha a realidade como ela é, e sim a forma como a vê.

Desenvolvimento psicomotor

É na primeira infância o momento da vida em que existe uma forte ligação entre o desenvolvimento motor e intelectual. Aí que entra o estímulo através do desenho infantil.

Nos movimentos que a criança faz ao desenhar ela articula desejos e suas possibilidades de comunicação, ainda que limitadas.

A psicomotricidade ─ integração entre funções psíquicas e motoras ─ entra aqui a partir do momento em que o sistema nervoso central cria uma consciência no ser humano sobre os movimentos que realiza através dos padrões motores, como a velocidade, o espaço e o tempo.

Assim sendo, o desenvolvimento psicomotor é de suma importância na prevenção de problemas da aprendizagem e na reeducação do tônus, da postura, da direcional idade, da lateralidade e do ritmo da criança.

A psicomotricidade, como estimulação aos movimentos da criança, tem como objetivo:

  • Criar uma consciência e um respeito à presença e ao espaço dos demais;
  • Motivar a capacidade sensitiva;
  • Cultivar a capacidade perceptiva;
  • Ampliar e valorizar a identidade própria;
  • Criar segurança e expressar-se através de diversas formas.

O desenho como uma grande obra

O desenho é uma atividade espontânea e como tal, deve-se respeitá-la e considerá-la como a grande obra das crianças.

Se a criança tem vontade de desenhar, estimule-a para que sempre a faça.

O ideal seria que todas as crianças pudessem ter um contato frequente com o lápis e o papel. Começarão com rabiscos e logo estarão desenhando formas mais reconhecíveis. O desenho facilita e faz evoluir a criança na:

  • Aprendizagem (leitura e escrita);
  • Autoconfiança;
  • Criatividade;
  • Formação da sua personalidade.
Desenho na terapia: como ele pode ajudar?

Desenho na terapia para adultos

Como vimos, o desenho no campo da psicoterapia é explorado especialmente junto ao público infantil, mas junto a adolescentes, adultos e idosos ele também se mostra essencial enquanto revelador da personalidade dos conflitos humanos.

A introdução do desenho oferece uma conversa alternativa sobre o que está obstruído pelo não-dito, oportunizando, portanto, a produção de formas mais criativas de falar.

A transposição da linguagem verbal para a não-verbal, por meio do desenho, convida o adulto para um melhor entendimento sobre o que se tem tido como difícil de ser acessado.

Muitas pessoas começam a terapia com desenho demonstrando timidez, até mesmo no contato com o terapeuta. No entanto, essas pessoas são capazes de libertar a sua criatividade e expressar sentimentos e emoções com o desenho.

Os benefícios do desenho na terapia

Pessoas criativas costumam praticar pequenas atividades artísticas quando precisam de novas ideias.

A ciência concorda. Um estudo realizado pela Universidade de Drexel e divulgado na Fast Company mostra que o processo de criação artística (como o desenho) estimula a área do cérebro ligada ao chamado sistema de recompensa.

Essa é a mesma área cerebral que faz com que dançar, rir e comer doces, por exemplo, sejam experiências tão prazerosas.

Abaixo, listamos alguns benefícios do desenho na terapia.

Desenvolvimento da motricidade

Assim como acontece quando tocamos piano, violão ou qualquer outro instrumento musical, ao usarmos um pincel ou um lápis no desenho, aprendemos a controlar os movimentos da mão e a desenvolver conexões cerebrais.

Ouvimos falar com frequência na necessidade de desenvolver a coordenação motora das crianças. Mas é importante destacar que adultos podem precisar desenvolver a chamada motricidade fina, que envolve músculos menores, como os dedos das mãos. É aí que entra o desenho nessa história, capaz até de desenvolver outras habilidades.

Oxigenação do cérebro

O desenho é capaz de estimular ambos os hemisférios do cérebro. Como se sabe, o esquerdo implica o lado lógico e racional, enquanto o direito está relacionado com a nossa criatividade e com as nossas emoções.

O benefício do desenho não fica restrito a um maior fluxo sanguíneo oxigenado para o sistema de recompensa cerebral. Os pesquisadores apontam que os praticantes se sentem mais criativos momentos antes e logo depois de realizar as atividades artísticas, facilitando até a resolução de problemas.

Melhora da concentração

A dedicação ao desenho requer concentração. Por isso, desenhar é um trabalho minucioso que nos permite esquecer tudo ao nosso redor.

O ato de desenhar faz o cérebro atingir um estado de concentração semelhante àquele obtido com a meditação ou a oração. É o chamado nível alfa, no qual uma parte do cérebro está consciente e a outra faz surgir o inconsciente.

Estreitamento de laços

Desenhar pode se tornar ainda uma atividade partilhada entre pais e filhos, netos e avós ou por casais, por exemplo.

Essa atividade serve como elo de ligação e fortalecimento de laços, assim como é mais uma razão para esses grupos passarem tempo juntos colaborando para algo de interesse em comum, como a economia familiar de gastos ou emagrecimento coletivo.

Aumento da autoestima

Quando o desenho na terapia é realizado em um ambiente relaxado e agradável, o paciente pode alcançar grandes realizações pessoais incentivado pelo psicoterapeuta, e isso irá fortalecer a sua autoestima.

Este ponto pode ser importante para pessoas com problemas de codependência ou traumas, e que precisam fortalecer a autoestima e aprender a se amar e a se valorizar.

Nesse sentido, o ato de desenhar traz outros diversos benefícios emocionais, como constatou uma mestre em Psicologia neste artigo.

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