5 mitos sobre a arte de desenhar

Por Samuel Torres 2 de maio de 2019

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5 mitos sobre a arte de desenhar

Desenhar é uma atividade que requer talento? Sim. Mas é um talento que pode ser aprendido por qualquer pessoa! E esse post é exatamente para desmistificar esse e outros mitos sobre a arte desenhar.

Desenho é arte?

Desenhar é, por definição, a capacidade de representação da realidade ou de algo imaginado por meio de formas bidimensionais.

Desenho ou pintura? Ambos referem-se ao ato de se expressar por meio de imagens, seja qual for o método e materiais usados.  

O desenho tem sido a capacidade humana mais antiga de se expressar.

5 mitos sobre a arte de desenhar

Por volta de 30 mil a.C, enquanto alguns Neandertais remanescentes disputavam territórios com nossa espécie Sapiens, alguém fez essa pintura na parede de uma caverna no sul da França.

Um debate que sempre existiu, em todas as épocas, foi “o que é e o que não é arte”. Durante a pré-história, quando os homens ainda viviam em cavernas, já nos expressávamos por meio de imagens e, de lá prá cá, mesmo após milhares de anos, continuamos a nos expressar por meio de desenhos e pinturas. Mas a dúvida sempre persiste: “o que é, afinal, arte?”.

A arte como processo elitista

Com o passar do tempo novos termos foram criados para definir melhor as capacidades humanas, começamos então a categorizar tudo. O ser humano tem a habilidade de ─para o bem ou para o mau ─ comparar e classificar as coisas, dizendo “isso é e aquilo não é”, e assim vamos validando e exaltando algumas coisas enquanto desprezamos e ignoramos outras.

Nesse processo de criar, apreciar e depreciar, aliados a diversos fatores sociais, o desenho aos poucos foi se tornando elitista, tornando-se, assim, um luxo dedicar-se à arte.

E é fácil imaginar o porquê. Imagine um camponês de alguma cidade medieval. Ele tinha sua casa e sua família, com mulher e filhos, que precisava sustentar. O trabalho no campo consumia todo o seu tempo e ainda assim o que fazia não era apenas para ele e sua família, mas quase tudo era repassado ao rei, que deixava apenas o mínimo para que ele e os seus pudessem sobreviver.

Como este trabalhador poderia dedicar-se ao desenho? Não fazia parte de sua realidade. O mesmo pode-se dizer de sua esposa, que dedicava todo o seu tempo aos afazeres domésticos, a cuidar dos filhos, da casa e até da lavoura.

Indo ainda mais longe, na Grécia Antiga a sociedade era dividida em homens livres e escravos. Os escravos faziam o trabalho pesado nas cidades enquanto os homens livres acumulavam riquezas e aproveitavam seu tempo livre para desenvolver a arte, a filosofia e as ciências.

E assim tem sido em quase toda história das civilizações humanas. Aqueles que possuem dinheiro ou recursos compram tempo pagando outros para fazerem o trabalho por eles, podendo, dessa forma, dedicar-se a assuntos de seu interesse.

O “renascer” da Arte

No Renascimento, época em que a razão e a arte voltaram a florescer, começaram a despontar muitos artistas, como Leonardo da Vinci e Bernini. Nesse período a arte passou a ser melhor valorizada, pois refletia e expressava o potencial humano, que voltou a ficar sem seu centro mais uma vez.

Muitos começaram a se dedicar à arte, e a competição pelo reconhecimento ficou bastante acirrada. Para aqueles que não vinham de família de artistas ou rica, o desafio era ainda maior. O dinheiro, ou melhor, a falta dele era um problema. Muitos artistas aceitavam encomendas e muitos de seus trabalhos eram feitos a pedido da Igreja ou de reis e magnatas da época, e, dessa forma, podiam se sustentar e continuar fazendo sua arte.

Nesse panorama, os que realmente se destacaram e superaram todas as dificuldades foram os que tinham enorme paixão e talento naquilo que faziam, nascendo daí então o nosso primeiro mito, o mito do Dom.

1º mito: Pra desenhar é preciso ter dom

O Mito do Dom eleva a grandiosidade de mestres desenhistas e pintores. Mas, por outro lado, os eleva de tal maneira que quase criam uma nova categoria de humanos para eles, que passam a ser vistos praticamente como semideuses, com sua genialidade sendo classificada como um “dom”.

Isso pode até ter certo grau de verdade, pois algumas pessoas realmente têm certa predisposição para a arte e trabalhos manuais. Mas o problema é que esse chamado “dom” torna o artista muito raro, algo inacessível para a maioria das pessoas.

Muitos não se veem com o dom necessário para o desenho ou para qualquer outra arte. Na verdade, nem buscam encontrar seu talento ou identificar em si mesmo alguma facilidade ou encantamento, seja na pintura, na música, na dança, ou em qualquer outra atividade artística. Simplesmente afirmam que não possuem o “dom” e não se dão ao trabalho sequer de tentar.

Porém, se começarmos a investigar os grandes gênios da arte veremos que o que mais os diferencia dos demais é a paixão que têm por aquilo que dispunham a desenvolver. E essa paixão foi sendo alimentada e cultivada durante a vida, sempre acompanhada de muito esforço e dedicação, desenvolvendo, assim, suas técnicas e percepções artísticas, tornando-os quem foram.

Mas para nós, “meros mortais”, é muito mais fácil dizer que eles são “gênios” e que nunca faríamos algo como o que eles fazem.

Porém, o desenho e a pintura, assim como qualquer outra atividade humana, podem ser trabalhadas e desenvolvidas. Tanto a técnica quanto o olhar podem ser aprimorados, alcançando-se, assim, a maestria na arte que se busca desenvolver.

Aqueles que chegam a essa compreensão descobrem que não existem limites além daqueles que nós mesmo imaginamos.

2º mito: Pra desenhar é necessária a criatividade

O Mito da Criatividade compartilha dessa mesma “aura” do “dom”. Tratamos as coisas de forma simplificada: ou temos ou não temos criatividade. Há aqueles que nascem criativos e imaginativos, e esses têm o “dom” da criatividade. Outros que não nasceram assim, nem adianta tentar que nunca serão criativos.

Mas esse é um pensamento equivocado e limitante.

É certo que alguns são por natureza mais criativos que outros, mas todos nós somos criativos e imaginativos, essa é uma das características marcantes de nossa espécie e foi a ferramenta que nos possibilitou dominar o mundo, superando, de certa forma, os demais animais. Afinal, somos a única espécie capaz de imaginar algo que de fato não está ali.

Ou seja, essa é a base da criatividade, e a criatividade é a base da humanidade.
Porém, ao pensar que não somos criativos nos limitamos a não ser de fato, privando nossa capacidade inata de imaginar.

Em última análise, a capacidade de criar é, na verdade, a capacidade de reorganizar de diferentes maneiras coisas à nossa volta, ou seja, a capacidade de combiná-las.

Sendo assim, essa também é uma faculdade mental que pode muito bem ser desenvolvida e aprimorada.

3º mito: Desenhar é muito difícil

Na jornada de aprendizado de uma nova técnica ou habilidade nos deparamos sempre com aquela situação de dificuldade, seja de compreensão ou de prática, e começamos, então, a acreditar que jamais conseguiremos. É, portanto, mais fácil aceitar que não vamos conseguir e deixar pra lá.

Porém, o desenho, a pintura ou qualquer outra habilidade que se queira desenvolver, desde que não tenha nenhuma debilidade física, pode, sim, ser aprendida.

Resta então apenas uma boa dose de comprometimento e esforço, praticando todos os dias, sem pressa. E assim, quando se der conta, você se verá fazendo isso de forma primorosa!

4º mito: Materiais de desenho são caros

Esse é um tema recorrente em nossas redes sociais. Muitos desistem de aprender a Técnica do Desenho Realista simplesmente por acreditarem que é preciso possuir materiais caros para tal.

Essa é, porém, uma das afirmações mais inconsistentes. Sabe-se que quando se domina uma técnica e uma visão artística, cria-se arte com qualquer material, com aquilo que estiver disponível no momento.

Pense nos homens das cavernas que usavam o que encontravam na natureza para se expressar por meio de imagens. Usavam carvão ou outros materiais que possuem pigmentos naturais.

Ou seja, o segredo é iniciar o processo de desenho na sua mente para, então, ir atrás de alguma ferramenta capaz de tornar possível a materialização daquele pensamento em imagem.

Assim também é no Desenho Realista.

A falta de recursos financeiros não pode impedir de se criar arte. O artista usa o que tem à sua disposição, conhece os materiais que tem e aprende a explorá-los a seu favor para que, com eles, alcance o melhor resultado possível.

5º mito: “Sou muito velho para começar a desenhar”

Para finalizar nossa lista de mitos sobre a arte de desenhar, vamos ver o porquê do pensamento “depois de uma certa idade não se consegue mais aprender a desenhar ser também balela.

Por muito tempo se pensava que apenas o cérebro de uma criança era flexível o bastante para aprender de forma eficiente coisas novas, e que as pessoas no geral, depois de certa idade, apresentam dificuldade no aprendizado.

A plasticidade do cérebro

A ciência moderna, no entanto, tem verificado que o cérebro em toda a vida é muito mais plástico do que se imaginava, e que continua a se moldar e a criar novas conexões o tempo todo, até mesmo em idade mais avançada.

É certo que as crianças possuem uma janela de aprendizado muito superior à capacidade de aprendizado de um adulto. Porém, o cérebro depois de amadurecido permite ainda novas assimilações e aprendizados de um modo impressionante.

Porém, assim como qualquer outra parte do corpo, quando não utilizado o cérebro pode se atrofiar, deixando suas conexões neurais mais “preguiçosas”.

Aprender a desenhar ou pintar com a idade avançada é, portanto, além de benéfico para o cérebro, assim o é também para o bem estar emocional, para a realização pessoal e ainda abre uma janela de possibilidades, fazendo cada um que experimenta, contemplar o mundo de outra forma, vendo arte e possibilidades em tudo à sua volta!

Para acabar de vez com todos esses mitos, separei um artigo pra você, onde respondo se “é possível aprender a desenhar”? Clique aqui, confira e aprenda!

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