Qual a graça de desenhar uma foto?

Por Samuel Torres 14 de setembro de 2017

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Qual a graça de desenhar uma foto?
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O ato de copiar uma foto pode parecer um tanto quanto vazio. E assim será, se não houver um propósito ou um significado em fazê-lo.

Se levar em conta apenas a imagem final, para fins comparativos, com certeza a impressora faz isso muito bem. Inclusive melhor que os desenhistas, pois a máquina é feita para ser precisa.

As câmeras fotográficas estão cada vez mais atualizadas e possibilitam tirar fotos cada vez melhores. E, em parceria com o computador, elas podem produzir imagens surreais e magníficas.

Neste artigo, falo sobre:

Máquina/homem

Partindo dessa lógica, podemos refletir um pouco mais a fundo sobre essa relação de máquinas/tecnologia, com o ser humano.

Os computadores fazem cálculos, trabalham a lógica de maneira muito mais rápida e eficiente que nós. E se, por conta disso, deixássemos de praticar o pensamento lógico?

Acesso facilitado e útil, também aos mais sensíveis, onde se busca por frases de escritores, frases bonitas e de significados profundos. Mas não param pra pensar que esses pensamentos só serão de fato significativos se vividos, se experimentados, se refletido.

Um autor passa muito tempo refletindo, pesquisando, anotando, desenvolvendo… Até que se chega a um resultado final. E assim publica um livro, define-se um método ou uma teoria científica.

A tecnologia facilita, dissemina. Mas não quer dizer que estamos ficando mais sábios ou adquirindo conhecimentos profundos. As redes sociais e tudo o que acontece na internet visa a praticidade e a velocidade, tudo em função do imediatismo.

Essa facilidade agiliza e facilita o trabalho, mas inibe a capacidade mental, deixando-nos ociosos e cada vez mais dependentes.

Há ainda muito mais a apontar e questionar sobre a superioridade das máquinas às habilidades humanas e sobre sua eficiência e usos. Porém, unca deve-se retirar a parte “humana” da equação. Afinal, o que seria toda a tecnologia sem a “humanidade”? A começar, nem teria existido. A tecnologia é tão humana quanto o próprio

A tecnologia tem a função de auxiliar o homem, não torná-lo alienado.

Arte/fotografia

Na arte, o lado “humano” sempre esteve presente. É a manifestação livre do artista para expressar. Desde algo que seja concreto e consciente até os meandros do inconsciente.

É algo nato que se desenvolve ainda quando criança. E uma forma a qual se pode expressar os sentimentos, emoções, crenças, expor alguma mensagem, ou apenas retratar uma cena.

Assim como faz também a fotografia, que não deixa de ser uma forma de arte. Atrás da câmera, há um ser humano buscando por cenas, iluminações, cores e composições que relatam seus sentimentos.

Biblioteca de imagens

Não muito longe, está a arte tradicional em discussão com a arte realista. Muito se pergunta:

Você faz desenhos de criação ou faz cópias?

Partindo do princípio que o estudo do desenho artístico se baseia em uma biblioteca de imagens em sua mente, ambas são reproduções. Nada se cria, tudo se copia, se transforma, se mescla.

É preciso ter essa bagagem de imagens acumulada para que se consiga fazer desenhos de cabeça. Pois as imagens já estarão gravadas na memória, restando então ao artista manipulá-las para compor uma imagem final.

Conectar-se à arte

Por fim, o desenho realista com base em uma fotografia não tem a função de se igualar. Tampouco de superar a fotografia. Ou até mesmo a qualquer outro tipo de arte. Mas o ponto importante a discorrer sobre essa técnica é que, ao reproduzir uma foto, o artista se conecta a ela de forma profunda, como um ator que incorpora um papel. Ele é capaz de sentir as emoções do personagem.

Assim é também no desenho, pois o artista sente o que a imagem transmite e reproduz tal sentimento. Pode ainda imprimir seus próprios sentimentos, pois cada trabalho é uma manifestação única de cada indivíduo, de sua percepção, técnica, sensibilidade e emoções.

É o que faz cada artista ser único em sua arte. Sua interpretação e técnica aplicadas, não exclusivamente sua fidelidade à referência, que é apenas um ponto de partida à realização da arte final.

 

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