O que é papel liso e papel poroso no desenho realista?
Papel liso e papel poroso são dois tipos de superfície de papel classificados pelo relevo das fibras: o liso apresenta acabamento fechado e uniforme, enquanto o poroso mostra granulação visível ao tato. No desenho realista a lápis grafite, essa diferença afeta a aderência do pigmento, a quantidade de camadas suportadas e o tipo de graduação de lápis que produz melhores tons.
Na hora de escolher o seu papel para o desenho realista, é importante ficar atento a algumas características: cor, tamanho, espessura e textura. Em conjunto, elas funcionam como um filtro para você aprender a identificar, com mais facilidade, o melhor papel para trabalhar o seu desenho.
Para quem gosta de desenhar apenas, independente da técnica, é possível fazê-lo sob qualquer superfície. Porém, quando se trata de um estudo em uma técnica específica, como no caso o desenho realista, há características que pedem determinado tipo de papel.
Características para escolher o melhor papel para desenho realista
Para escolher o melhor papel para desenho realista, é preciso conhecer algumas características que poderão auxiliá-lo na escolha. Saiba:
Marca do papel
A marca do papel é o nome de identificação do fabricante, como por exemplo Canson, Fabriano, Hahnemuhle, Lana etc.
Tipo do papel
Existem subcategorias dentro de cada marca que diferenciam os tipos de papéis.
O liso, normalmente conhecido por Bristol: como o Lana Bristol, o Fabriano Bristol e também o “4 Liscio” da Fabriano.
E há o texturizado: como o C’ à Grain da Canson, o Ruvido da Fabriano, o Dessin da marca Lana.
Veja alguns exemplos de marca e tipo de papel:
- Canson Bristol, Canson C’ à Grain, Canson Layout;
- Fabriano 4 Liscio, Fabriano Ruvido, Fabriano Bristol;
- Hahnemuhle Bristol, Hahnemuhle Nostalgie;
- Lana Bristol, Lana Dessin, são alguns exemplos.
Gramatura
Isso definirá a espessura do papel, se ele é fino ou grosso.
Pode variar de papéis de 75 g/m² como o sulfite, até papéis de 300 g/m² para aquarela.
A gramatura é importante para saber se o papel irá aderir bem ao grafite, e se são resistentes à técnica do desenho realista.
Tamanho
O padrão internacional ISO 216 define os tamanhos dos papéis em séries A, B e C.
A série A é mais usual (A0, A1, A2, A3, A4, A5, A6…).
O mais comum até mesmo para o portfólio é o tamanho A4, de 21,0 × 29,7 cm.
O A3 é o dobro do tamanho, como se fossem duas folhas A4.
E o A5, por exemplo, é a metade do A4.
Resumindo, você precisa ficar atento a:
- Marca (Canson), tipo (C à Grain) e gramatura (180 g/m²): Canson C à Grain de 180 g/m²;
- Marca (Fabriano), tipo (4 Liscio) e gramatura (220 g/m²): Fabriano 4 Liscio de 220 g/m².
Papéis que recomendamos

De acordo com essas subcategorias, os papéis que testamos e recomendamos para o desenho realista são:
- Papel Canson C à Grain de 180 g/m² ou de 224 g/m². E Canson Desenho Escolar de 140 g/m², que apesar de ser um pouco fino, ainda apresenta boas características para o sombreamento na técnica realista. Esses são papéis mais baratos e de fácil acesso. Sua porosidade acentuada poderá ser driblada utilizando o verso da folha e com adaptações à técnica no grafite.
- Fabriano 4 Liscio de 220 g/m². É um papel liso, mas sedoso, apresenta boa aderência ao grafite.
- Lana Bristol de 250 g/m². É um papel muito liso, mas não ao extremo. Apresenta resultados suaves, mas com certa resistência à aderência do grafite. Recomenda-se, portanto, usar lápis mais macios e escuros.
Se estiver montando um kit acessível para começar, vale conhecer opções como um bloco Canson Desenho Escolar 140g A4 com 20 folhas — permite testar sensações de textura sem investir muito antes de decidir qual papel realmente combina com sua mão.
Afinal, liso ou poroso?
Podem ser ambos!
Se a gramatura for adequada (180 a 250 g/m²), o que confere uma espessura mais firme ao papel, a textura pode ser lisa ou porosa.
A porosidade é como uma granulação na folha, mas que sendo suave, não atrapalha o desenvolvimento do trabalho. Não pode ser muito texturizada, pois isso pode atrapalhar o resultado final.
Preferencialmente buscamos pelo papel mais liso, pois a técnica do desenho realista busca por um acabamento mais refinado, sem porosidade visível no sombreado.
Quando você trabalha com papéis porosos, aqueles do tipo “escolares”, recomendamos utilizar o verso da folha, que é mais liso. A maneira de trabalhar nesse papel é um pouquinho diferente em relação ao papel mais liso — vale entender a fundo essa dinâmica no artigo sobre a relação entre textura do papel e graduação do lápis.
A porosidade é útil para a textura de pele?

A porosidade do papel não é bem-vinda para fazer texturas de pele, pois trabalhamos para suavizar os traços e as porosidades.
A textura de pele se faz pelo uso da técnica com o lápis ou com a caneta borracha, sem o auxílio de artifícios como texturas do próprio papel ou auxiliares por baixo do papel.
E quanto a outros papéis que não foram citados aqui?
Se você tem interesse em conhecer outros papéis que não foram citados, e como saber se eles são adequados ou não, precisa ficar atento aos itens citados acima. Normalmente a textura e a gramatura são os pontapés iniciais na sua escolha. Depois, o que vai valer mesmo é a sua experiência e a adaptação ao papel.
Recomendamos que tenha uma certa porosidade, mesmo que mínima, pois ajuda a aderência do grafite. Evite os extremos, papéis extremamente lisos ou muito porosos.
Não é preciso se preocupar em ter materiais importados e de difícil acesso, pois não necessariamente se desenha melhor neles. Mas há desenhistas que se adaptam a determinadas características.
Porém, você pode estudar e se aprimorar em papéis um pouco mais simples. Igualmente, vão lhe proporcionar uma boa ferramenta de trabalho para você aperfeiçoar a sua técnica. O resultado sempre dependerá mais de você do que de suas ferramentas. Algumas facilitam o trabalho, mas você é quem precisa manuseá-las.
Agora que você já escolheu o melhor papel, veja como desenhar com 6 vídeos tutoriais da nossa equipe.

Perguntas Frequentes
Papel liso ou poroso rende preto mais profundo?
O papel poroso, em geral, alcança pretos mais profundos porque a textura oferece mais “vales” onde o grafite se acumula em camadas sucessivas antes de saturar. Papéis muito lisos como o Bristol tendem a atingir o brilho da saturação mais cedo — o grafite passa a escorregar sobre a camada anterior em vez de escurecer. Se o objetivo é sombreado profundo com lápis macios (6B, 8B), papéis levemente porosos como o Canson C à Grain 180 g/m² geralmente respondem melhor.
Como uso o verso do papel escolar para desenhar?
O verso da folha de blocos como o Canson C à Grain e o Desenho Escolar tem uma textura mais fechada do que a frente. Basta virar a folha e desenhar do lado que parece mais liso ao tato. Você reduz a porosidade acentuada característica do lado poroso, ganha resultado mais próximo do de um papel Bristol e ainda economiza — cada folha vira duas superfícies utilizáveis dependendo do estudo.
Vale a pena comprar papel importado desde o começo?
Não. No início vale mais volume de treino do que qualidade máxima de folha. Papéis nacionais como o Canson C à Grain 180 g/m² ou o Escolar 140 g/m² são suficientes para desenvolver técnica de tons, transições e detalhes. Papéis importados como Fabriano 4 Liscio ou Lana Bristol fazem sentido depois que você já domina o controle de pressão e quer explorar acabamento final mais refinado nas peças que vai preservar.
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