Mitologia e Arte – Símbolos de força gravados na pele

Por Aniela Darienzo 27 de julho de 2017

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Mitologia e Arte – Símbolos de força gravados na pele
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Deuses, deusas e contos mitológicos são referências muito usadas pelos tatuadores em suas séries de estudos, essas imagens são símbolos de força e heroísmo. Quando gravadas na pele, possuem a representatividade de toda uma herança cultural que deu origem a nossa civilização ocidental.

Em tatuagens com motivos mitológicos são realizadas composições ou há a seleção de um foco principal que seja mais expressivo, como se usassem um visor selecionando a parte que consideram mais importante. Há também espaço para a releitura de obras desse período que denominamos Antiguidade Clássica, que compreendeu a civilização grega e romana.

Ao observarmos obras, como as do tatuador Chico Morbene, em seu processo de criação compositiva, podemos nos questionar se o tema da mitologia grega é de fato um eco da Grécia Antiga ou se chegaram até nós através de uma reformulação gerada durante outras épocas.

Tatuagens de Chico Morbene

Primeiramente é importante ressaltar que todos os povos possuíam representações de suas divindades, no entanto as observamos fascinados por seu exotismo, mas quando diante da cultura grega sentimos de imediato que estamos frente a membros mais velhos de nossa família, pois essa cultura foi o berço da civilização ocidental.

A Grécia Antiga surgiu entre 1100 e 700 a. C., porém houve um período considerado a Idade de Ouro quando existiu um salto de criatividade sem paralelos, atingindo os campos da arte, arquitetura, filosofia, legislação, história e matemática.

Os gregos foram os primeiros a escrever prolixamente sobre suas realizações nas Artes. Segundo o filósofo grego Protágoras, o homem era a medida de todas as coisas. O valor e a dignidade humanas eram pautados pela clareza de pensamento e busca pelo equilíbrio.

Iniciaram a representação do nu simbolizando a perfeição do corpo por meio das proporções ideais. As estátuas, porém, não eram brancas como mármore tal como as conhecemos hoje, mas passavam por um processo chamado encáustica, quando há a aplicação de uma mistura de pigmento em pó com cera quente.

A partir de 1720 ocorreu um ressurgimento da cultura Clássica através do Neoclassicismo. Nesse período, temas que imitavam a arte grega e romana floresceram para inspirar a república francesa, e logo por toda a Europa, seu objetivo principal era resgatar os valores estéticos e culturais da Antiguidade Clássica.

Segundo Winckelmann a beleza não poderia ser encontrada na natureza, pois esta seria imperfeita. Ao artista caberia procurar o belo ideal, a síntese de todas as belezas. Porém, essa busca seria em vão, pois o ápice desse ideal já teria sido alcançado pelos gregos, restaria ao artista apenas imitar a Antiguidade.

Em todos os museus, academias de arte, Faculdades de Letras e Escolas de Belas-Artes era indispensável ter reproduções em gesso da estatuária grega.

Durante o período Neoclássico a arqueologia passou a ser incentivada e escavações foram realizadas em Pompeia e Herculano, trazendo a visão de deslumbramento e comoção popular. Esse movimento artístico pregava a razão acima da emoção, a austeridade, a ênfase no desenho e na linha em vez da cor.

O papel do pintor Jacques-Louis David foi fundamental, assim como a ação de Winckelmann, arqueólogo alemão; Mengs e Piranesi, gravuristas e pintores que estudaram as ruínas de Roma e outras cidades, constituindo um material de estudo fundamental para as gerações seguintes.

No Brasil o Neoclassicismo teve início com a chegada da Missão Artística Francesa e a Fundação da Escola Real de Artes e Ofícios em 1816, grande marco histórico do progresso artístico em nosso país.

A INTERVENÇÃO DAS SABINAS DE JACQUES-LOUIS DAVID

O termo Neoclássico foi criado posteriormente ao período como um rótulo pejorativo, a cópia das obras gregas passou a ser severamente criticada pela restrição à liberdade artística.

As pinturas passaram ser questionadas, pois quando em qualquer época da história poderia um soldado ir sem roupas apenas com mantos esvoaçantes a uma batalha? Críticas crescentes acabaram contribuindo para o declínio desse tipo de representação. Assim como vários hábitos gregos adotados, como o uso de túnicas, passaram a ser considerados destoantes e beirando o ridículo.

Percebemos na arte da tatuagem um retorno às formas clássicas de representação com o resgate no sentido de perfeição, onde o corpo humano tem papel ímpar. O corpo é a obra de arte e através dele visões de dinamismo e poder são expressos. Deuses e Deusas do Olimpo voltam a manifestar sua força.

BIBLIOGRAFIA

JANSON, H. W. História Geral da Arte – O Mundo Antigo e a Idade Média, 3ª edição, Editora Martins Fontes, 2007.
PROENÇA, Graça. História da Arte, 16ª edição, Editora Ática, 2001.
STRICKLAND, Carol. Arte comentada Da Pré-História ao Pós-Moderno. Ediouro, 1999.
IMBROISI, Margaret. Neoclássico. 1998. Disponível em: https://www.historiadasartes.com/

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