A dramaticidade envolvente de Bernini, gênio escultor

Por Aniela Darienzo 5 de setembro de 2017

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A dramaticidade envolvente de Bernini, gênio escultor
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Coragem para vencer os inimigos, não se intimidar diante dos adversários e zelar sempre vigilante por seu território. O leão de Judá representa aqueles que receberam uma benção, a liderança e a vitória.

A imagem do Leão e a figura de Cristo são uma só, simbolizando força e poder que não vêm da própria pessoa, mas emanam de Cristo. Essa composição realizada por Charles Laveso marca sua pele e está impressa na capa de seu primeiro livro.

A arte sempre transmite um conteúdo, representa algo e possui referências a partir das quais é construída. Neste artigo, abordarei sobre o gênio do Barroco, Gian Lorenzo Bernini e a teoria Hegeliana em que a arte é superior à beleza do mundo natural.

A escultura que serviu de inspiração ao trabalho de Laveso se chama Jesus, Salvador do Mundo, foi a última obra realizada por Bernini pouco antes de sua morte. Mostra a imagem de Cristo fazendo um gesto de benção.

Bernini foi um dos maiores nomes do período Barroco, adquiriu grande fama como escultor e arquiteto, também atuando como pintor, desenhista e cenógrafo.

Suas numerosas obras podem ser encontradas nos dias de hoje em Roma e no Vaticano. Foi responsável pela concretização de projetos ambiciosos em urbanização e arquitetura para a Igreja Católica, como a construção do Baldaquino de São Pedro em bronze e mármore com 29 metros de altura.

As esculturas do período barroco foram marcadas pelo movimento, curvas e relevos, pela representação dos sentimentos, principalmente em imagens de sofrimento.

A arte barroca se estendeu do século XVI ao XVIII, buscava envolver emocionalmente o espectador expressando religiosidade de forma dramática, temas mitológicos e representações da realeza também eram comuns.

Havia nessa época uma constante dualidade entre aproveitar os prazeres do corpo ou cultivar os valores do espírito com a percepção de brevidade da vida, valores que eram transmitidos por meio da arte.

Até mesmo os palácios e as igrejas nessa época não eram projetados apenas para serem edifícios, mas para a construção de um mundo fantástico.

Hegel, filósofo alemão que nasceu no final do período barroco quando já se questionava as crenças desse período, afirmava que as estátuas possuiriam uma força imperturbável dentro delas não se alterando diante de qualquer pessoa que as observasse. Percebia a arte como uma necessidade que levaria o homem a tomar consciência de seu mundo interior e exterior, criando um objeto em que pudesse reconhecer a si mesmo.

Segundo o pensamento de Hegel, a arte seria um instrumento de conscientização de ideias e interesses mais elevados, no qual a sabedoria tomaria forma.

O bem, a verdade e o belo seriam valores transmitidos pela arte representando uma Ideia que estaria presente em tudo o que existe. Ainda que o homem não conseguisse dar forma corretamente representando a Ideia de modo imperfeito, a arte estaria ligada ao mundo espiritual por dar corpo a essas Ideias.

O belo artístico estaria acima do belo natural, isto é, como o espírito é superior à matéria e a arte representaria valores do mundo espiritual a beleza criada pelo homem estaria acima da beleza criada pela natureza.

Perceber diferentes percepções do papel da arte ao longo da história é importante porque nos faz ver como a arte pode representar valores e crenças, e como podemos através da criação artística, ressignificar imagens, obras e conteúdos que sejam significativos para nós, assim como fez Charles Laveso a partir da obra magistral de Bernini.

BIBLIOGRAFIA
GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Tradução: Álvaro Cabral. 16ª edição. Rio de Janeiro, LTC Editora, 1999
JANSON, H. W. História Geral da Arte – Renascimento e Barroco. São Paulo, Editora Martins Fontes, 2007
HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Estética: A Ideia e o Ideal, O Belo Artístico ou Ideal. Coleção Os Pensadores, Tradução de Orlando Vitorino. São Paulo: Nova Cultural, 2000
CABRAL, João Francisco P. Sobre o Estado: Filosofia do Direito de Hegel, Brasil Escola, 2002. Disponível em: http://www.brasilescola.com/filosofia/sobre-estado-filosofia-direito-hegel.htm
CAMPELLO, Bianca. Artes plásticas no Barroco europeu – Caravaggio e Bernini, 2009. Disponível em: http://literarizando.wordpress.com/2009/08/08/artes-plasticas-no-barroco-europeu-caravaggio-e-bernini/

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