A arte como disciplina escolar

O ensino de artes na escola não tem como objetivo formar artistas. Do mesmo modo, o ensino de matemática não visa formar matemáticos. O papel da escola é formar pessoas capazes de terem uma percepção sensível às imagens. Bem como decodificar intenções e valores presentes na arte e na mídia.

A escola, enquanto instituição, precisa investir na formação de leitores. Precisa ampliar suas concepções de leitura para além dos elementos textuais. Também incorporar a linguagem visual, corporal e tecnologias digitais.

É fato que a maioria dos alunos não querem estudar, mas querem muito aprender.

O que é educação artística?

Educação artística é o ensino estruturado de conceitos, técnicas e história da arte em ambiente escolar. Não se limita a técnicas, mas desenvolve pensamento crítico, expressão autêntica, confiança e habilidades para interpretar e criar significado. Essa educação integrada forma não apenas técnicos, mas pensadores críticos capazes de usar arte para transformação.

O papel do professor

Ao ampliarmos a educação através da arte em suas várias formas despertamos gosto pelo conhecimento usando um meio de comunicação atraente para crianças e jovens.

A atuação do professor em uma relação de poder e submissão, impondo obediência cega, gera um clima de tensão. A aprendizagem acaba sendo repetitiva e sem sentido.

Ele pode muitas vezes determinar o sucesso ou fracasso do estudante. Críticas excessivas, destrutivas, desconsideração pelo esforço ou pelos sentimentos do aluno são atitudes que servem para diminuir ou até mesmo destruir o interesse pela aprendizagem.

Os psicólogos americanos Rosenthal e Jacobson pesquisaram sobre a influência do professor no desempenho dos alunos como uma “profecia educacional que se autorrealiza.” Isto é, aqueles a quem o professor menos espera que aprendam terão menores resultados. Isso ocorre porque, quando o professor demonstra empatia e acredita no potencial de seus alunos, agirá de modo incentivador. Portanto, produzirá um efeito benéfico.

Muitos jovens e adultos afirmam terem sido envolvidos pela empatia de um professor. Se sentem acolhidos por ele. Apesar de inicialmente não se identificarem com a disciplina, se esforçaram para conseguir bons resultados. Alguns escolhem inclusive uma determinada área por influência de um educador.

O ensino da arte na escola

A arte dentro das instituições escolares sempre atuou como transgressora. Enquanto nas outras disciplinas o trabalho é repetitivo, obrigatório e não considera a vontade do aluno. Nas aulas de artes, a percepção individual será prioridade; um momento de satisfação por permitir a quebra da rotina.

Praticar arte proporciona um momento em que o jovem acha dentro de si recursos para enfrentar melhor os problemas que surgem. Porque encontra na arte um ambiente seguro para expressar seus sentimentos.

A escola deveria ser um local onde se exerceria o princípio democrático de acesso de todas as classes sociais à informação. No entanto, o que ocorre é um apartheid cultural, onde as camadas populares são vedadas ao acesso dos códigos eruditos. Enquanto isso, a classe dominante se apropria de todos os códigos, inclusive os da cultura popular. As massas devem ter o direito a sua própria cultura e à cultura da elite.

É curioso como, ao mesmo tempo em que a sociedade considera a arte como um dos bens mais elevados da humanidade, ela é vista com descrédito nas instituições públicas. E as escolas seriam justamente o meio de facilitar o acesso à maioria dos estudantes à arte.

Há de se levantar a questão: Nosso sistema educacional prioriza os valores humanos ou as recompensas materiais são os verdadeiros valores?

A ênfase na aprendizagem como um todo tem sido relacionada apenas a memorização de fatos e fórmulas, isso por si só, não trará benefícios nem a sociedade, nem ao indivíduo se não vier acompanhado da formação de um espírito livre e flexível.

A arte contribui como nenhuma outra disciplina porque é um caminho que traz liberdade de expressão, poder de análise e insere o indivíduo no coletivo, ao mesmo tempo em que fortalece sua individualidade.

BIBLIOGRAFIA

BARBOSA, Ana Mae. A imagem no Ensino de Arte. Anos oitenta e novos tempos. 6ª Ed. São Paulo: Perspectiva, 2005. (p. 27-82).

GOMES, Carlos Alberto. Poder, autoridade e liderança institucional na escola e na sala de aula: perspectivas sociológicas clássicas. Rio de Janeiro. 2009.

PALOMINO, Thaís Juliana. A Aprendizagem da docência de uma professora iniciante: um olhar com foco na intermulticulturalidade. São Carlos. 2009.

PAULA E SILVA, Gislene Santos. A importância do ensino de arte no contexto escolar em uma escola de ensino fundamental. Belo Horizonte. 2015.

Perguntas Frequentes

Como isso impacta meu desenvolvimento artístico?

Compreender este tema de forma profunda acelera significativamente seu crescimento. Você passa a fazer escolhas mais conscientes, perceber sutilezas nas obras de outros artistas e comunicar melhor suas intenções. A reflexão contínua sobre esses princípios transforma sua prática de observação vaga para investigação proposital, gerando resultados tangíveis e duradouros.

Por que isso é importante para iniciantes?

Artistas iniciantes frequentemente focam apenas em técnica, ignorando a dimensão conceitual e psicológica. Ao estudar este tema desde o começo, você cria uma base sólida que sustenta todas as habilidades posteriores. É como aprender grafia antes de escrever poesia : ambos podem ser feitos, mas a ordem importa e acelera resultados.

Posso começar a aplicar isso agora?

Sim, absolutamente. Não aguarde condições perfeitas ou conhecimento adicional. Comece observando, questionando e registrando em esboços. A prática deliberada combinada com reflexão consciente gera transformação. Cada sessão de desenho é oportunidade para aplicar o aprendizado aqui, pequeno que seja o avanço aparente.

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