O que importa é o prazer do aprendizado, não a excelência na técnica

Por Samuel Torres 10 de outubro de 2017

COMPARTILHE:
O que importa é o prazer do aprendizado, não a excelência na técnica
5 (100%) 1 vote

Aprender ou mesmo voltar a desenhar é o desejo de muitos ultimamente.

A intensa exposição nas redes sociais de artistas com suas artes exuberantes, atraem o olhar e despertam o desejo para o aprendizado ou desenvolvimento nos mais variados segmentos e técnicas: Anime, mangá, artístico, estudo de anatomia, pintura, pastel seco, lápis de cor, lápis grafite, carvão ou até mesmo desenhos feitos e sombreados totalmente com caneta esferográfica.

As belas obras de artistas que expressam excelência em seus trabalhos, chamam a atenção e causam tendências, fazendo com que ganhem diversos seguidores que almejam igual resultado.

É, sem dúvida, um ótimo ponto de partida, pois sem ambição não se chega a lugar algum.

A vontade em aprender e alcançar a excelência trará energia para o treino constante e árduo durante todas as etapas do aprendizado.

Por outro lado, a demora em alcançar tal objetivo pode ocasionar desânimo e até mesmo desistência em alguns aprendizes que por ter um ideal de comparação já tão perfeito se sentirá desmotivado e ansioso por um rápido progresso.

No segmento do desenho realista existem muitos artistas em todo o mundo que apresentam técnicas inacreditavelmente impressionantes até mesmo para quem já desenha.

Esse fascínio gera uma corrida desenfreada em busca de tal perfeição, criando um modelo de busca, um alvo, onde os vitoriosos são os que chegam a essa “perfeição” ou até mesmo os que a superam.

Essa busca incessante gera ansiedade e diminui a autoestima, pois ainda que alguns apresentem notável facilidade em aprender e desenvolver a técnica e a percepção no desenho, a maioria das pessoas podem levar anos dedicando-se até alcançarem tal resultado.

E mesmo quando atingem o alvo, percebem que o padrão evolui com novos artistas e técnicas ainda mais impressionantes, gerando assim uma certa frustração.

Portanto, a ideia de um modelo perfeito é uma visão equivocada de sucesso no desenho, pois gera angústia e afasta o prazer das etapas do aprendizado.

É como acontece com os modelos de sucesso da modernidade contemporânea, que requerem status e um corpo perfeito, conduzindo a uma busca incessante pela beleza, gerando vazio aos que tentam ser o que não podem e que, por isto, não se transformam nem em quem poderiam ser.

O que define o verdadeiro sucesso, o que faz valer a pena, não é a competição ou a comparação entre os artistas, mas a evolução e a satisfação que cada um obtém no percurso.

É o prazer do aprendizado, a realização pessoal que gera alegria e paz de espírito, essa é a verdadeira essência da arte, a possibilidade de se expressar e criar algo, exteriorizando e materializando o que é subjetivo dentro de si.

É bom mirar o topo, mas sem perder o prazer do momento e da conquista, pois o caminho é mais importante e gratificante que o vislumbre do final, assim é na vida, assim é no desenho.

COMPARTILHE:
Entre para a nossa lista VIP.