5 dicas para um sombreamento suave no desenho realista

A técnica do desenho realista consiste, basicamente, em sombreamentos. E quando se fala em sombreamento, logo se pensa naquele lápis 6B da Faber-Castell usado deitado sobre o papel, não é mesmo?

Porém, quando se busca desenvolver essa técnica, alguns detalhes precisam ser levados em conta para que seja possível alcançar um sombreamento bem suave e homogêneo. Vamos tentar esclarecê-los aqui.

O que é sombreamento suave no desenho realista?

Sombreamento suave é a aplicação gradual e homogênea do grafite no papel, sem marcas visíveis do traço do lápis nem porosidade excessiva, resultando em transições limpas entre áreas claras e escuras. Depende da combinação de lápis de qualidade, ponta longa e afiada, papel com textura adequada e, principalmente, do controle da mão e da paciência ao aplicar cada camada.

Tipos de lápis

É importante ficar atento ao tipo de lápis que usa. Lápis de baixa qualidade não são indicados pois em certos casos podem apresentar fuligem na mina (aquelas “pedrinhas” no meio do grafite). Além de incomodar na hora de sombrear, também prejudica a qualidade do resultado final.

Se optar por lápis mais baratos, uma marca que recomendamos são os Faber-Castell da série 9000. Algumas marcas importadas que também usamos e indicamos:

  • Staedtler.
  • Mitsubishi.
  • Caran d’Ache.
  • Cretacolor.
  • Derwent.

Lápis de escrever não costumam ser bons para sombreamento. Use preferencialmente aqueles graduados (2H, HB, 2B, por exemplo).

Evitando a porosidade

A textura do papel é importante para facilitar a aderência do grafite. Porém, em excesso pode deixar o sombreamento muito rústico, o que nem sempre é o que se busca no desenho realista suave.

Por outro lado, papéis extremamente lisos também costumam não ser muito bons, pois a falta de aspereza dificulta o sombreamento. O lápis “não pega” direito e é difícil de escurecer, podendo ainda apresentar manchas.

Algumas dicas:

  • Se for usar um papel mais texturizado, o verso costuma ser um pouco mais liso. É mais indicado para um sombreamento mais suave.
  • Evite usar o lápis deitado. Isso pode até facilitar o preenchimento, mas deixa o resultado mais rústico.
  • Deixe o lápis sempre bem apontado. Pontas arredondadas podem facilitar o sombreamento, mas também o deixam poroso. O melhor caminho é manter a ponta longa e fina, treinando a leveza da mão.

Evitando deixar “rabiscado”

Assim como a porosidade, é importante que o sombreamento não fique com o aspecto riscado (mostrando os traços do lápis). Fique atento a alguns detalhes:

  • Paciência é fundamental. Quando se deixa levar pela ansiedade ou pressa, começa-se a sombrear de forma mais rápida, aumentando a chance de deixar riscado ou com falhas.
  • Leveza da mão. Esse é o fator mais importante para se obter um sombreamento suave. Usar o lápis mais em pé pode aumentar as chances de que o sombreamento fique riscado. É importante treinar a leveza e o controle da mão, o que só se alcança praticando bastante.

Exemplo comparativo de sombreamento suave e rabiscado num desenho realista

Dicas de como usar o lápis

  • Segure-o na mesma posição que se segura para escrever. Evite usá-lo deitado.
  • Mantenha-o sempre bem apontado.
  • Treine bastante o controle e a leveza da mão. Ter a “mão pesada” não ajuda.
  • Apontadores de manivela são uma excelente recomendação. Além de proporcionar uma ponta longa e fina, agilizam o processo de apontar.
  • Na falta do apontador de manivela, pode-se usar o estilete para deixar a ponta longa.

Controle a ansiedade

Mais importante que o material ou a forma como o usa é saber controlar a ansiedade. Essa é a principal vilã do desenho realista. Algumas dicas que podem te auxiliar:

  • Não tenha pressa. Esse é o principal causador da ansiedade. Ao desenhar, dedique o tempo necessário para fazer o melhor trabalho possível.
  • Preste atenção na forma como segura o lápis e como sombreia. Contenha-se e capriche o máximo possível. O sombreamento pode deixar de ser tedioso e começar a ser desafiador e gratificante.
  • Encare qualquer desenho, mesmo um simples treino, como uma obra de arte. Dê tudo de si e busque sempre o melhor resultado.
  • Pratique bastante. Não nascemos pacientes, precisamos cultivar essa habilidade.

Se você já sente que domina o traço suave, o próximo passo é entender a comparação com o estilo rústico e saber quando cada abordagem se encaixa melhor. E se anda em dúvida se o resultado está caminhando bem, veja 17 dicas para saber se seu desenho está claro ou escuro.


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Perguntas Frequentes

Por que meu sombreamento fica sempre riscado?

O sombreamento fica riscado por três causas mais comuns: pressão forte na mão, lápis com ponta muito curta ou arredondada, e pressa na aplicação. Quando você segura o lápis em pé e força, o traço marca a superfície e não se mistura à camada anterior. Já uma ponta arredondada distribui grafite de forma desigual, deixando linhas paralelas visíveis. E a pressa faz cada movimento ficar mais brusco, sem sobreposição suficiente para homogeneizar. A correção começa por apontar o lápis com estilete ou apontador de manivela, segurar como se estivesse escrevendo, e reduzir conscientemente a pressão até quase não sentir resistência do papel.

Qual a melhor graduação de lápis para começar o sombreamento?

Para as primeiras camadas suaves, comece com HB ou 2B. Esses lápis oferecem controle bom e pouco risco de escurecer demais logo no início. Reserve as graduações 4B, 6B e mais escuras para as áreas de sombra profunda, aplicando por cima das camadas leves já estabelecidas. Começar com um lápis muito escuro (como 6B direto no papel branco) tende a produzir traços marcados e difíceis de suavizar depois. A regra prática é ir do claro para o escuro em camadas, e nunca pular direto para o mais escuro sem uma base leve por baixo.

Preciso comprar lápis importados para conseguir sombreamento profissional?

Não. Os Faber-Castell da série 9000, encontrados facilmente no Brasil, são suficientes para todo o processo de aprendizado e para a maioria dos trabalhos profissionais. Marcas importadas (Staedtler, Mitsubishi, Caran d’Ache, Cretacolor, Derwent) trazem diferenças de maciez e intensidade que fazem sentido para desenhistas avançados em busca de nuances específicas, especialmente em áreas de sombra muito profunda. Mas comprar importado no início costuma ser mais uma barreira financeira do que uma vantagem técnica. Domine a leveza da mão com o material acessível e considere upgrade só quando sentir que a limitação vem do lápis, não da técnica.

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