O que importa é o prazer do aprendizado, não a excelência na técnica

Aprender a desenhar ou até mesmo voltar a fazê-lo é o desejo de muitos, ultimamente.

A intensa exposição nas redes sociais de artistas com suas artes exuberantes atraem o olhar e despertam o desejo para o aprendizado. Ou para o desenvolvimento nos mais variados segmentos e técnicas.

Sejam mangás, estudo de anatomia, pintura, pastel seco, lápis de cor, lápis grafite, carvão ou até mesmo desenhos feitos e sombreados totalmente com caneta esferográfica.

O que é prazer no aprendizado artístico

Prazer no aprendizado é a satisfação intrínseca de evoluir, experimentar e descobrir suas próprias capacidades, independentemente de comparações externas. No desenho realista, significa apreciar cada etapa: os primeiros traços, os erros que ensinam, o domínio gradual de uma técnica. É encontrar alegria no processo, não na competição. Artistas que descobrem esse prazer desenham toda a vida. Quem busca apenas reconhecimento externo desanima quando ele não vem rápido.

As belas obras de artistas que expressam excelência em seus trabalhos chamam a atenção e causam tendências. Fazem com que ganhem diversos seguidores que almejam igual resultado.

É, sem dúvida, um ótimo ponto de partida, pois sem ambição não se chega a lugar algum!

A vontade de aprender

A vontade em aprender e alcançar a excelência trará energia para o treino constante e árduo durante todas as etapas do aprendizado.

Por outro lado, a demora em alcançar tal objetivo pode ocasionar desânimo. Até mesmo desistência em alguns aprendizes.

Por ter um ideal de comparação já tão perfeito se sentirá desmotivado e ansioso por um rápido progresso.

A busca da “perfeição”

No segmento do desenho realista, existem muitos artistas em todo o mundo que apresentam técnicas inacreditavelmente impressionantes. Até mesmo para quem já desenha!

Esse fascínio gera uma corrida desenfreada em busca de tal perfeição. Cria um modelo de busca, um alvo, onde os vitoriosos são os que chegam a essa “perfeição”.

Essa busca incessante gera ansiedade e diminui a autoestima. Pois ainda que alguns apresentem notável facilidade em aprender e desenvolver a técnica e a percepção no desenho, a maioria das pessoas podem levar anos dedicando-se até alcançarem tal resultado.

E mesmo quando atingem o alvo, percebem que o padrão evolui com novos artistas e técnicas ainda mais impressionantes. Acabando com uma certa frustração.

Portanto, a ideia de um modelo perfeito é uma visão equivocada de sucesso no desenho, pois gera angústia e afasta o prazer das etapas do aprendizado.

É como acontece com os modelos de sucesso da modernidade contemporânea, que requerem status e um corpo perfeito, conduzindo a uma busca incessante pela beleza, gerando vazio aos que tentam ser o que não podem e que, por isto, não se transformam nem em quem poderiam ser.

O prazer do aprendizado

O que define o verdadeiro sucesso, o que faz valer a pena, não é a competição ou a comparação entre os artistas, mas a evolução e a satisfação que cada um obtém no percurso.

É o prazer do aprendizado, a realização pessoal que gera alegria e paz de espírito. Essa é a verdadeira essência da arte, a possibilidade de se expressar e criar algo. Exteriorizar e materializar o que é subjetivo dentro de si.

É bom mirar o topo, mas sem perder o prazer do momento e da conquista. Pois o caminho é mais importante e gratificante que o vislumbre do final.

Assim é na vida, assim é no desenho.

Perguntas Frequentes

Como encontrar prazer no desenho quando vejo artistas muito melhores que eu?

Essa comparação é o toxina. Aquele artista incrível que você vê no Instagram passou anos desenhando, cometeu milhares de erros que você não vê, e provavelmente também duvida de si mesmo às vezes. Quando sentir o impulso de se comparar, faça o oposto: compare-se com você mesmo. Veja seus desenhos de 6 meses atrás. Veja a evolução. Celebre os pequenos ganhos. E lembre-se: o desenho que você fez hoje que “ficou ruim” é o degrau para o próximo que ficará melhor. Prazer vem de perceber sua própria evolução, não de alcançar o topo do Instagram.

Por que “perfeição” é inimiga do aprendizado?

Porque perfeição é um alvo que não existe. Sempre há um traço que poderia ser melhor, um tom mais preciso, um detalhe mais fino. Quem busca perfeição fica preso, perfectando o mesmo desenho indefinidamente, ou desistindo porque “não ficou perfeito”. Enquanto isso, o artista que busca “melhoramento constante” termina seu trabalho, aprende dele, e passa para o próximo. Cada desenho completo é mais educativo que um desenho incompleto. Perfeição paralisa; iteração evolui. O prazer real está em terminar o que começou e ver o progresso acumulado ao longo do tempo.

Como manter o prazer se meus resultados não parecem visíveis?

Resultados visuais no desenho são lentos. Você pode estar evoluindo enquanto se sente estagnado. A solução é mudar sua métrica de sucesso: em vez de “ficou incrível?”, pergunte-se “aprendi algo novo?”, “cometi erros diferentes que ensinam?”, “terminei este desenho?”. Essas são vitórias. Além disso, mantenha registros: guarde seus desenhos. Compare com os de 3 meses atrás. O gap será maior do que você imagina. Quando você vê a progressão real no tempo, o prazer volta naturalmente. E quando o prazer está presente, a prática flui; quando flui, resultados visuais inevitavelmente vêm.

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