Significado da arte ou arte de significados?

Por Samuel Torres 5 de outubro de 2017

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Significado da arte ou arte de significados?
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A história humana é marcada de significados, há um anseio em significar nossos feitos. O próprio cérebro humano é assim, composto por incontáveis circuitos neurais e programas automáticos que interagem, como numa sociedade, competindo entre si e dando ordens ao corpo, tudo em prol da sobrevivência e do bem estar do indivíduo.

Toda essa maquinaria é gerenciada, ou pelo menos assistida, pelo sistema central que é a consciência e o raciocínio, a parte que dá significado a tudo.

Nada fica sem significado, o cérebro trabalha incessantemente para dar sentido a tudo que por ele passa.

Todo pensamento ou percepção passa pela trama da lógica, onde estão sujeitos também os pensamentos e sentimentos mais profundos, como medos, traumas, aspirações, desejos, lembranças, ou seja, todos os acontecimentos e projeções passam por esse filtro dos dramas e da subjetividade que carregam de emoções as expressões humanas e suas reflexões.

Junto com essa necessidade de dar sentido às coisas, vem a necessidade de expressão, ou seja, a necessidade de materializar o que se pensa ou sente.

A arte é a forma mais antiga de expressão, antes mesmo de existir a escrita já haviam manifestações artísticas nas paredes das cavernas e rochas, onde se representava cenas do cotidiano, da caça e da interação social, onde já se exprimia tal necessidade de expressão, seja por fator místico, ou por simples representação de seres e ideias.

Ao observarmos a arte no desenrolar da história, notamos que esta é um extrato da era a que pertence, de seus valores, crenças, dramas e conflitos, seja para fazer críticas sociais ou simplesmente para representar as emoções e sentimentos humanos, mas sempre com algum significado.

Até mesmo a ausência de sentido como no movimento artístico Dadaísta, criado durante a primeira guerra mundial, carregava um sentido inerente; o de representar a falta de sentido da guerra.

A arte na Pré-História

Em uma rápida recapitulação da arte ao longo do tempo vemos a sua primeira manifestação na pré-história, período de 1.000.000 a 4.000 a.C, quando surgiram os primeiros hominídeos.

Nessa época, começaram as primeiras manifestações artísticas de pinturas nas rochas e cavernas onde se reproduzia o que se via na natureza com técnicas simples.

Há uma teoria de que representações da caça, por exemplo, eram feitas por caçadores, com o princípio mágico de que ao representar um animal sendo capturado, elevariam as chances de que isso de fato acontecesse.

Ao desenrolar dessa era vemos o homem em sua evolução mental e criativa, desde a elaboração de objetos feitos com madeira, pedra e ossos, o início da agricultura, artesanato e construções de pedra.

E no fim desta era o desenvolvimento da metalurgia, surgimento de cidades, invenção da roda e da escrita.

A arte na Idade Antiga

Nas eras seguintes, tanto a complexidade humana evoluía, quanto suas formas de expressão artística, como na Arte Egípcia, que era composta pelos hieróglifos, a escrita avançada e símbolos.

A Arte Grega por sua vez, representava o homem como centro da perfeição e da arte, com pinturas, estátuas, edificações e monumentos que valorizavam-no em todos os aspectos, seguida pela Arte Romana, baseada na cultura grega.

A Arte Paleocristã por sua vez, era baseada em Jesus Cristo, como forma de disseminar seus ensinamentos e por fim a Arte Bizantina, baseada na reprodução das culturas greco/romana e oriental.

A arte na Idade Média

Este período, conhecido como Idade Média ou Idade das Trevas, iniciou-se em 476 e terminou em 1453. Foi marcado pelo domínio da igreja católica nos meios políticos, econômicos e sociais, um período de controle e opressão onde houve um grande declínio do pensamento e da ciência.

Mesmo sob o sistema religioso e opressor a arte não se calou, desenvolvendo estilos próprios de sua era, principalmente na arquitetura das catedrais, onde se destacaram os estilos Românico e o Gótico, com raízes na antiguidade clássica e influenciado pelos antigos povos germânicos.

A arte também se manifestava nas pinturas, esculturas, livros e vitrais das igrejas, sempre influenciada pela Igreja Católica com a função de representar os ensinamentos bíblicos.

Renascimento, o despertar

O Renascimento marca o período de redescoberta e de revalorização da antiguidade clássica que evoca ao ideal humanista e naturalista, onde o homem volta a ser o centro.

Nesse período retorna o valor ao conhecimento, à filosofia e à arte , onde se destacam vários artistas como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rafael, Botticelli, Donatello, Caravaggio, entre outros.

Artistas que se inspiraram na antiga cultura grega, onde se prezava os valores, o pensamento e as emoções humanas.

A partir desse período houve então um crescimento exponencial da cultura, conhecimentos, ciência e expansão da arte, sendo direcionadas a todos os povos, não apenas à elite ou ao clero.

A Idade contemporânea

Acontecimentos que marcaram essa era foram:

  • Revolução Francesa;
  • Primeira Guerra Mundial;
  • Segunda Guerra Mundial;
  • Guerra Fria.

Essa é a era que gerou a realidade que constatamos e vivemos hoje, uma era marcada pela produção e desenvolvimento da tecnologia, onde o conhecimento começou a ser difundido amplamente.

Primeiro através de livros impressos em grande escala, levando o conhecimento para todos os lugares. Logo em seguida vem a difusão da internet, levando o conhecimento para outro nível, hoje então, vivemos a era da informação.

O conhecimento se tornou rápido e facilitado, tendo tudo ao poder de um clique. O passado não está mais encerrado em seu tempo, mas composto em dados que se pode buscar facilmente para questões de análises.

Podemos olhar para trás e vislumbrar todo o percurso que nossa raça percorreu para chegar até onde estamos hoje. Vivemos uma era mágica!

Porém, todo esse conhecimento, usando uma expressão de Zygmunt Bauman, tornou o mundo líquido. Tudo muda rapidamente, temos a sensação de que não há nada sólido.

Aquela segurança herdada dos antigos gregos, que analisava tudo friamente, que tudo poderia ser explicado, gerou um firme pensamento sólido.

Mesmo com o advento do Cristianismo, a igreja trouxe respostas às perguntas mais viscerais da humanidade, que é o questionamento sobre a razão de ser e estar no mundo.

A “queda” do domínio da igreja e a volta da “razão”, aliados a essa fluidez do conhecimento, trouxe o questionamento a tudo, não se tem certeza de nada.

Todos os pilares que moldaram as gerações anteriores como bem e mal, certo e errado, céu e inferno, se desfizeram, restando apenas questionamentos e incertezas, e o deparar-se com esse mundo diluído, traz o grande vazio contemporâneo. Portanto, a busca por sentido é a grande questão de nossa era. Na arte se busca significado e na vida, sentido.

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