A relação entre texturas de papéis e graduações dos lápis grafite

Por Charles Laveso 20 de março de 2017

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A relação entre texturas de papéis e graduações dos lápis grafite
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Um desenho realista é conhecido por seus detalhes minuciosos que o levam ao encontro da realidade no papel, lembrando uma fotografia. Por isso, quanto mais delicado, nítido e suave for o desenho, em sua técnica no grafite, mais próximo ficará da referência. Por isso, procura-se trabalhar com algumas especificações técnicas que facilitam o processo. A mais importante é conhecer a relação entre o papel e o grafite.

No mercado há inúmeras marcas, tipo e gramaturas diferentes de papel e de graduações de lápis. Muito além das preferências pessoais de cada artista, a escolha dos materiais a serem utilizados é baseada em critérios que podem favorecer seu trabalho.

As especificações

Como buscamos suavidade no desenho realista, tecnicamente precisamos evitar porosidade em nosso trabalho. Porosidade é quando o grafite não consegue penetrar totalmente na textura do papel, deixando pontinhos vazios no sombreamento.

Antes de prosseguir, entenda, em resumo: marca é o nome do papel, tipo é a textura que ele apresenta e a gramatura é a espessura.

Já os lápis são semelhantes em suas características técnicas, variando em suas graduações do 8B (o mais macio) até o 5H (o mais duro). Contudo, mesmo tendo numerações técnicas iguais, há variações entre as marcas. Pode-se encontrar um 8B mais escuro que outra marca, por exemplo.

Quando usamos um lápis muito macio em um papel texturizado, a porosidade é sempre muito evidente. Pergunta-se: e as ferramentas para esfumar? Elas são úteis para suavizar a porosidade e traços do lápis, usando-as com delicadeza. Para driblar uma porosidade tão acentuada, as ferramentas para esfumar não são suficientes, dando um acabamento rústico ao trabalho.

Portanto, o que fazer?

Procure sempre começar o desenho com as graduações mais firmes, como o H e Hb. Por serem mais duras, elas têm a possibilidade de achatar a textura do papel, deixando um acabamento mais liso. Caso precise escurecer, faça aos poucos. Use o máximo que conseguir chegar nos tons intensos com o H e Hb e vá aumentando a graduação conforme a necessidade. Não vá diretamente para os tons acima do B em um papel texturizado, pois ficará poroso.

Em um papel mais liso, a porosidade acaba não sendo tão evidente, podendo trabalhar com graduações maiores quando preciso. Porém, é importante ressaltar a importância de se trabalhar gradualmente, ganhando intensidade aos poucos.

Até mesmo a intensidade de tonalidade entre o Hb e o 3B no papel liso são próximas, ou seja: não é preciso mudar muito a graduação para conseguir tons intensos. Portanto, para ter trabalhos mais suaves é preciso trabalhar com graduações mais duras, como o H e Hb, tanto em papéis texturizados quanto os lisos, sendo imprescindível nos texturizados.

Trabalhe com a ponta do lápis sempre muito bem apontada e lembre-se que alguns materiais (como os papéis mais lisos, por exemplo) facilitam o trabalho, mas é preciso técnica para manusear o que estiver à disposição. Dá para se trabalhar com o que tem, desde que conheça suas especificações para driblar adversidades.

 

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