O que antes para mim era bom, hoje não parece mais

Por Maira Poli 7 de novembro de 2017

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O que antes para mim era bom, hoje não parece mais
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Recentemente estava analisando alguns trabalhos e comecei a notar algumas diferenças em relação às técnicas, notando uma evolução importante quando comparado a trabalhos mais antigos.

Quando isso ocorre é algo positivo, pois é sinal de melhora na percepção e na autocrítica, mas ao mesmo tempo é curioso pensar que, antes, para mim, aquele trabalho era bom o suficiente, mesmo tendo a consciência da necessidade de evoluir.

Então, me pergunto: o que acontece em nossa mente que naquele momento não vemos as coisas da mesma forma que percebemos hoje?

Nossos olhos tendem a ver o que queremos ou o que esperamos ver de uma forma inconsciente, involuntária. Vamos arquivando imagens e cenas em nossa mente, criando um banco de imagens. No momento que estamos começando a desenhar, o lado esquerdo do cérebro, o exato, toma a frente e nos mostra o óbvio e o que ele já tem em reserva, um processo rápido e eficaz.

Assim, se reproduz o que tem em mente e não o que tem à frente de nossos olhos como realmente deve ser. Essa transição em utilizar o lado mais exato do cérebro para passar a trabalhar com o criativo, o hemisfério direito, é um processo que exige certo treinamento, mas é possível.

Nesse momento você passará a olhar a referência com mais realidade, reproduzindo com mais riqueza de detalhes. (link do curso Iniciantes)

Todavia, o que nos faz perceber os erros é que essa transição não deve ser uma via de mão única. Quando terminamos de executar o desenho, ou até mesmo em etapas durante o processo, é necessário voltar a estimular o lado esquerdo do cérebro novamente, saindo daquela sensação de inércia e bem estar proporcionado pelo lado direito e passar a analisar os erros e anotar mentalmente as áreas que precisam ser corrigidas, sendo crítico e analítico.

Falando assim parece algo que podemos ligar ou desligar, como um interruptor, mas na prática é um processo rápido e natural. Ao mesmo tempo que está focado, é preciso se esvair e perceber o todo.

É importante fazer esse mecanismo em cada trabalho, para assim estimular a sua percepção do que é real, tendo sempre a referência ao lado como parâmetro de comparação e análise.

Depois de algum tempo, quando analisar os desenhos que fez no início e compará-los com os atuais, irá ter um preparo maior e perceber que o que via antes era algo mais generalizado, fruto da memória e não exatamente do que via através da sensibilidade da percepção.

Porém, não quer dizer que os desenhos de antes não tenham seu valor, pois naquele momento você também estava se expressando, todavia com menos detalhes da realidade.

Para que todo esse processo ocorra, em resumo, é necessário prática e por consequência o estímulo da percepção. Mas, acrescento também o foco e a dedicação. Conforme faz desenhos e procura entender suas dificuldades, a sua percepção à essência vai se aprimorando.

Não é como um passe de mágica, de um momento ao outro, por isso é preciso estar constantemente estudando. Não é a reprodução de um desenho após o outro, então somente, mas é saber ouvir e ver. Procurar entender, estudar e tentar enfrentar as dificuldades, não colocando-a como obstáculos, mas sim como aprendizado.

Quando estamos desenhando sentimos prazer e sabemos que há erros e que é preciso melhorar, mas o que foi feito naquele momento entende-se que é um passo à frente do que fazíamos ontem.

Essa conquista é importante para nós, mesmo que aos olhos dos mais experientes apareçam mais erros que acertos e as vezes recebemos críticas que não queríamos ouvir. Porém, podem ser necessárias como uma alavanca que nos impulsiona a ver o que antes era oculto.

Até mesmo as nossas referências como artistas podem ir mudando com o passar do tempo. Aquele artista que lhe serviu de inspiração no início, pode não ser o mesmo que lhe inspira hoje, mas foi primordial para seu desenvolvimento.

Para termos sucesso é preciso dedicação. No desenho, para chegar a níveis elevados, é necessário prática para adquirir experiência e ir galgando à evolução. Com isso, cada etapa que passamos é um acréscimo ao nosso conhecimento.

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