Compreendendo Luz e Sombra em desenhos realistas

Por Robson Almeida 6 de abril de 2017

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luz e sombra
Compreendendo Luz e Sombra em desenhos realistas
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Primeiro explicamos aqui no blog os tipos de papel e lápis grafite utilizados nos desenhos realistas. Depois, orientamos sobre o ambiente ideal para desenhar, música e como acertar na precificação dos seus trabalhos. Agora, chegou a vez de apresentarmos como os segredos de luz e sombra tornam os desenhos tão impressionantes, com volume e profundidade, que “saltam do papel”.

A mudança gradual da luz para a escuridão é o efeito mais importante no acabamento dos desenhos realistas, criando a ilusão de terceira dimensão. Essa técnica de contraste na representação dos objetos é chamada “Chiaroscuro”, e teve origem na pintura renascentista do século XV.

Dominar a transição entre as diferentes tonalidades de grafite é um desafio para os iniciantes, que muitas vezes evitam escurecer áreas do desenho, fazendo com que o trabalho final seja pálido. Ou, quando ocorre o contrário e o traço é muito forte, resulta em desenhos carregados e muito escuros.

Aplicação de luz e sombra na prática

O primeiro passo na técnica é estabelecer o posicionamento da luz. Considere os diversos planos de um objeto:

  • direita;
  • esquerda;
  • cima;
  • baixo;
  • frente e
  • trás;

A luz poderá incidir diretamente em apenas três destes lados.

Ao escolher as faces que não receberão luz, você deve escurecer gradualmente para conferir a profundidade. A incidência de claridade então será inversamente proporcional à tonalidade da pigmentação.

Se estiver utilizando o lápis grafite, dê preferência à graduações acima de 2B e para áreas claras use lápis mais duros como 2H, H e HB. Sendo que o foco de luz mais dura deve ficar sem preenchimento ou ser definido utilizando uma borracha.

Além disso, se o objeto estiver posicionado sobre uma superfície lisa é importante considerar o reflexo no desenho e a sombra projetada.

No desenho realista baseado em fotografias não nos preocupamos de forma tão consciente sobre a direção da luz, pois esta já está imposta na imagem, basta apenas copiá-la. Nesse caso, volta a imperar a percepção, precisa-se treinar a percepção não só às formas, mas também ao tom.

Veja aqui algumas dicas para se perceber melhor os tons:

  • Utilizar sempre a referência impressa em preto e branco, pois uma imagem de referência colorida pode gerar confusão ou imprecisão na percepção do tom.
  • Colocar uma folha sulfite branca ao lado do tom que se observa e depois ao lado da parte correspondente no desenho, pois o branco do papel serve de referência para comparar os tons.
  • Apertar um pouco os olhos de forma que a visão fique meio embaçada, dessa forma desapega-se dos detalhes focando-se mais nos tons.
  • Preencher alguma área de tom bem escuro ou preto em alguma parte do desenho para que se tenha uma base do preto e assim conseguir chegar melhor aos tons intermediários. Dessa forma diminui a possibilidade de que o desenho fique sem contraste com a ausência de tons pretos.

 

Os 5 níveis de iluminação

Para dominar a técnica dos desenhos realistas é preciso saber identificar as diferentes tonalidades de iluminação:

Brilho – Onde é o principal foco de incidência da luz, ou seja, a área que não será pintada. Em nuances mais complexas também será possível distinguir a luz natural (sol) de luz artificial (lâmpada, vela, etc, pela intensidade da luz).

Meio tom – Aplicação branda do grafite, obtida utilizando lápis intermediários com pressão leve.

Sombra – Área do objeto que recebe pouca ou nenhuma luz. . Conheça os efeitos de sombra mais conhecidos:

  • Chapado (não há meio tom);
  • Esbatido (transição gradual de pressão ou tonalidade do lápis – degradê);
  • Esfumado (efeito de fumaça obtido esfregando algodão ou papel no grafite);
  • Pontilhado (transição na intensidade de concentração de pontos);
  • Hachuras (riscos de linhas próximas ou afastadas);

Sombra projetada e luz refletida – Quando há outro objeto ou uma superfície é possível que sejam projetadas sobre ela uma sobra que ajuda a compor o realismo do desenho. Seguindo a mesma lógica, é refletida a incidência da luz que ajuda a definir as bordas de um objeto.

 

Efeitos percebidos em desenhos realistas

Usando as ferramentas certas é possível conseguir efeitos impressionantes, ajustando o contraste de maneira a criar texturas e expressões vivas, repletas de emoção. No vídeo abaixo, o professor Charles Laveso demonstra a utilização do esfuminho no acabamento de suas obras.

Recomendamos a utilização de papel com gramatura acima de 140g/m² e utilizando sempre o lado mais liso do papel para que seja possível aplicar os efeitos de luz e sombra, além da textura, que pode ter aspecto de:

  • plástico;
  • algodão;
  • metal;
  • metal escovado;
  • pele humana;
  • entre outros.

Técnica e criatividade

Uma vez que você seja capaz de identificar as diferentes nuances de luz e sombra em desenhos realistas, o próximo passo é exercitar essa percepção. Acesse nossa galeria e avalie em cada desenho a aplicação dessa técnica.

 

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