Detalhes malfeitos chamam a atenção

Por Samuel Torres 16 de julho de 2017

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Detalhes malfeitos chamam a atenção
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O desenho realista é desenvolvido em etapas. Quando estamos desenhando, focamos em uma parte de cada vez, esquecendo o restante. No final, tudo deve se encaixar com harmonia, de forma que nenhuma parte salte aos olhos chamando atenção demais. Afinal, é o todo que deve impressionar.

Às vezes nos deparamos com desenhos, de fato, muito bons, mas com algum detalhe feito com pressa ou sem a mesma atenção e capricho vistos no restante do desenho. Seja pela pressa ou por não dar a mesma importância àquele detalhe. Mas, o fato é que tudo que aparece na imagem de referência é importante e deve ser tratado com o mesmo cuidado do que o restante.

 

Eu mesmo faço prova disso nesse trabalho acima, onde apliquei grande dedicação e paciência em todos os detalhes, tanto do corpo, com formas definidas por nuances de luz e sombra, pelos e texturas, nas gotas da chuva respingando ao bater nele e na espada, gotas iluminadas pela luz do reflexo das lâminas e da luz que vem de trás, na meticulosidade dos detalhes da paisagem de fundo, com janelas minúsculas iluminadas, destroços voando, o efeito de ventania, enfim, tudo foi feito com bastante atenção e paciência, tentando deixar o mais fiel possível à referência.

Porém, cometi um erro, não empenhei total atenção ao rosto, que foi feito em partes à mão livre, sem um rigor de medidas e proporções. E, por se tratar de um rosto pequeno, diferenças de menos de 1 milímetro causam uma grande discrepância na fisionomia e expressões do modelo.

Dessa forma, ficou um bom desenho, impressionante pelos detalhes e jogos de luz e sombra, mas não apresenta a mesma fisionomia do personagem. Sendo assim, alguém, ao ver o desenho, ao invés de apreciar o todo e elogiar o trabalho, vai dizer que não se parece com o personagem.

Um bom trabalho é aquele no qual se passa o olhar e nada lhe chama a atenção. Se algo se sobressai é importante observar melhor e investir um tempo a mais naquela região, vencendo o cansaço e a ansiedade.

Do contrário, todo o empenho e dedicação ao desenho fica comprometido por algo que ficou a desejar. Ou seja, o que ficou bom passa despercebido, pois a atenção é levada ao que está errado.

Isso pode acontecer tanto em detalhes grandes como em pequenos, como o Charles Laveso sempre diz: “imagine um desenho bem feito, mas que o botão da camiseta esteja mal feito, sem sombreamento ou mal sombreado, por mais que seja um detalhe mínimo, a atenção de quem observa o trabalho, é levada àquele detalhe”.

Erros ou falta de atenção desse tipo, podem acontecer com o foco e atenção pontuais demais, quando se atenta a um detalhe, ou forma, ou tom, de maneira bem intensa e acaba passando despercebido outros fatores.

Outro exemplo recorrente é um desenho bem trabalhado, com belos detalhes, texturas e sombreamentos, mas o desenho num todo, está claro demais, tem apenas tons de cinza, faltando contraste. Nesse caso, a atenção ficou muito fixada em alguns pontos, deixando de ponderar o todo, e a diferença dos tons passou despercebida.

Sendo assim, é recomendado que, enquanto estiver desenhando e focado no que estiver fazendo, de vez em quando dê uma distância do desenho, olhando-o de longe. Ou, até mesmo, olhando o desenho de ponta cabeça.

Assim, o seu cérebro não te enganará, pois do contrário ele pode se acostumar com a imagem que está vendo e não notar as diferenças em relação à foto de referência. Também é importante, em certo momento, se afastar do trabalho e fazer outra coisa. Quando voltar, terá uma visão mais limpa do desenho, ficando nítidas as mudanças a fazer.

É importante à percepção e também à saúde descansar os olhos e mudar os movimentos repetitivos e uma posição na qual esteja por um longo tempo.

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