Dê mais volume aos seus desenhos!

Por Cris Souza 22 de agosto de 2017

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Dê mais volume aos seus desenhos!
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“O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradas olhando para a direita e para a esquerda, e de vez em quando olhando para trás… E o que vejo a cada momento é aquilo que nunca antes eu tinha visto, e eu sei dar por isso muito bem… Sei ter o pasmo essencial que tem uma criança se, ao nascer, reparasse que nascera deveras… Sinto-me nascido a cada momento para a eterna novidade do mundo.”. (– Alberto Caeiro)

Fazendo um paralelo com as frases do poeta, um olhar curioso e atento, encantado e observador é o ponto de partida para quem se dedica a arte realista. Na aplicação das técnicas do desenho é preciso, primeiramente, que tenhamos um olhar apurado para reproduzir com fidelidade a nossa referência e transmitir as formas decorrentes da incidência da fonte de luz.

A prática permitirá o entendimento para a aplicação correta dos valores tonais existentes no espaço entre a sombra e a luz do objeto a ser reproduzido, imprimindo ao desenho a ilusão mágica de realidade tridimensional, criando belíssimos efeitos como o da dilatação do espaço, o de profundidade e o de valorização da parte mais iluminada.

Se o objeto for iluminado por todos os lados, ou se só tiver sombra, ele não se sobressairá. Veremos tudo claro ou tudo escuro.

Portanto, é necessário realçar uma fonte de luz para iluminar o objeto, mostrando assim a forma do mesmo e caracterizando o volume.

Um desenho realista não pode ser criado apenas com linhas de contornos. A chave não é apenas a precisão das formas, mas também a aparência da dimensão alcançada através do sombreamento.

É importante treinar para ver os efeitos da luz em sua imagem de referência e se esforçar para replicar isso com a aplicação correta da luz e da sombra nas linhas do seu desenho.

Para desenhar de forma realista, você deve entender completamente como a iluminação afeta um objeto. Existem cinco elementos de sombreamento que são essenciais para descrever realisticamente a forma de um objeto. Se faltar algum desses elementos, seu trabalho parecerá plano.

  1. Sombra Projetada – É o tom mais escuro do desenho e é sempre oposto à fonte de luz. Encontra-se na base do objeto desenhado. Esta área não possui luz porque, à medida que o objeto se projeta, bloqueia a luz e molda uma sombra.
  2. Sombra Interna – Este é o tom cinza escuro e pode ser chamado de sombra interna.
  3. Meio tom – Este é um meio tom. É a área da esfera que não tem luz direta nem sombras.
  4. Luz Refletida – Este é um cinza claro. A luz refletida é sempre encontrada ao longo da borda de um objeto e separa a sombra interna da sombra projetada.
  5. Luz Direta– Esta é a área branca e é o ponto mais forte onde a fonte de luz está atingindo a esfera.

Escala de valores tonais:


A escala tonal é excelente para exercitar o olhar, treinar a percepção a luz e iluminação.

É necessário levar em consideração os reflexos produzidos pela luz, que projetam as superfícies ou objetos vizinhos, já que estas clareiam a própria sombra. Entre a luz e a sombra existe uma zona de transição ou de “meia sombra” que pode variar em extensão dependendo da intensidade da luz.

E, dependendo da graduação do cinza que você colocar no seu desenho, deixando a sombra projetada mais escura. Você pode, através do seu desenho, demonstrar a aparência do material que é feito o seu objeto. Veja o exemplo:

Observe que na primeira esfera a sombra e a luz são opacas e suaves. Essa é uma maneira de sombreamento bem usada em rostos.

Na esfera de metal, o que demonstra o material é a incidência de brilhos mais intensos e sombras bem escuras, o que destaca os brilhos. Há ainda a presença de reflexos dos objetos à volta. No caso do plástico é um meio termo entre o algodão e o metal, pois apresenta brilhos mais intensos e contraste que no algodão, porém não reflete os objetos à volta.

Por último, o efeito de metal escovado é semelhante ao de metal normal, porém apresenta essa textura de ranhuras que confere tal aparência.

No final, o que prevalece é a observação, ou seja, copiar tudo o que se vê, da maneira que se enxerga, para isso não é preciso estudar os materiais, apenas treinar a percepção para notar seus tons e texturas.

Como exercitar a técnica de Luz e Sombra?

Antes que você consiga desenhar os valores apropriados que ilustram a luz e a sombra, você precisa ser capaz de identificar visualmente a Fonte de luz, as sombras do objeto, e as sombras projetadas.

A fonte de luz indicará onde você deverá aplicar os valores de luz e sombra.

É necessário um pouco de prática para localizar a fonte de luz, sombras e sombras projetadas em torno de um objeto.

Assim que escolher o objeto a ser desenhado, pergunte a si mesmo onde estão os valores de luz, localizando as áreas mais claras sobre o objeto. Da luz mais brilhante até a mais leve; onde estão os valores escuros, as sombras, que ao serem localizadas é possível descobrir facilmente as fontes de luz.

Para a aplicação correta dos valores tonais, é importante um sombreamento suave e uniforme. E para aplicar uma mistura suave, você deve primeiro aprender a usar suas ferramentas e aplicar a sombra adequadamente, com traços suaves. Se o seu sombreado for áspero e desigual, nada conseguirá suavizá-lo.

Dê uma olhada nos exemplos abaixo. A amostra abaixo mostra a aplicação incorreta do lápis. Observe como as linhas são separadas e rápidas.

Na amostra acima, você pode ver como as linhas são combinadas e bem próximas, não havendo áreas brancas entre elas.

Experimente esta técnica você mesmo! Aplique as linha bem próximas uma da outra de forma a preencher todos os espaços.

Adicione tons até construir um preto profundo e vá clareando gradualmente ao mover-se para a direita. Misture o grafite agora com um esfuminho. Passe-o com movimentos na mesma posição que você passou o lápis.

O sombreamento precisa ficar de tal forma que não seja possível perceber onde um tom termina e começa outro. Vá espalhando o grafite em direção à área mais clara, suavizando o peso de sua mão até que não seja possível ver onde os tons terminam.

Agora que você já sabe o caminho a seguir para conseguir aplicar um maior volume aos seus desenhos, comece a praticar. Como você percebeu é algo simples que só precisa de prática e de uma melhor percepção tonal. Gostaria de compartilhar sua experiência conosco? Deixe abaixo o seu comentário!

Referências:
Lee Hammond’s, Livro Big Book of drawing

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