Você desenhava quando criança?

Por Samuel Torres 1 de setembro de 2017

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Você desenhava quando criança?
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Colaboração de Maíra Poli

“Toda as crianças são artistas. O problema é como permanecer um artista quando você crescer. ” (– Picasso)

O desenho é uma prática comum na fase infantil, onde alguns mostram mais facilidades que outros. Uns apresentam habilidades para criar, com imaginação e memória louváveis; outros gostam de observar e copiar.

Uns têm traços contínuos e precisos, outros têm traços rabiscados, mas no geral, toda criança gosta de desenhar, sejam desenhos simples ou complexos, cada um a seu modo.

A partir do desenvolvimento e a chegada da vida adulta, os afazeres e obrigações ocupam a mente e o tempo, de forma que os interesses de antes, como desenhar, acabam sendo substituídos por tarefas do cotidiano e, o que antes lhes davam prazer, acaba sendo colocado em segundo plano, ou sendo anulado, dando-se pouca atenção a tal atividade, tampouco sobre seus atributos terapêuticos.

O desenho passa a ser encarado como uma atividade que realizava quando criança e as responsabilidades da maturidade impulsionam o crescimento pessoal e profissional, deixando o lado infantil e partindo para a vida adulta.

Porém, nesse processo acaba-se ocultando partes vitais que definem a personalidade e atuam como regulador de humor, como válvula de alívio, pois o expressar pelo desenho é um desabafo que traz ainda a satisfação da criação e da conquista, não vivendo então somente de obrigações, mas permitindo-se um momento de prazer.

Nesse ambiente “adulto”, com rotinas severas e cotidianos corridos, palco de angústias e estresse, em uma era de muitos problemas psicológicos como depressão, estresse e ansiedade, o desenho pode trazer contribuições inimagináveis à psiquê, pois traz o estado de FLOW, segundo o psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi, que é um momento de imersão atemporal, um momento de êxtase.

Quando a experiência consigo mesmo entra em um aposento e fecha a porta, onde a ansiedade e a pressa não são convidados. Nesse ambiente quase místico é possível que horas passem como minutos, sem perceber, e o aprendizado caminha junto com a satisfação, o que estimula a criatividade para novas possibilidades, novas formas de se fazer, testando, experimentando, e assim, cada desenho é uma nova aventura.

Portanto, é preciso se permitir expressar seus sentimentos, sejam frustrações, tristezas, alegrias, conquistas, pequenos gestos de carinho do dia a dia e que estimulem a imaginação e a criatividade, juntamente com o alívio da alma. Tanto um relato para si quanto um compartilhar de emoções com outros ao seu redor.

Se antes, quando criança, o mundo parecia mais fácil, hoje não precisa ser diferente.

Por muitos motivos as pessoas passam a amadurecer mais cedo e deixam esse mundo lúdico para trás. Todavia, isso não quer dizer que ele nunca possa voltar, mesmo em sua maturidade, pois a expressão da arte é válida a todo momento, desde que feita com sentimentos. Se antes, em sua inocência, tudo era possível, hoje em sua maturidade tudo pode ganhar significado.

O desenho não é o único caminho, é apenas um entre muitos – como escrever, atuar – que trabalha como uma forma de expressão de sentimentos e emoções, crenças, transmissão de mensagens, ou apenas para retratar algum momento importante. O que vale é perceber que toda fase tem suas belezas e não é preciso que as dificuldades de ontem ou de hoje as transformem em obstáculos, quando há meios para deixar a vida mais leve.

Se antes gostava de desenhar e o fazia muito quando ainda era criança, não deixe de estimular essa lembrança e esse desejo de voltar no tempo, podendo fazer novas realizações ainda hoje, sob uma nova perspectiva de vida.

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