A arte como disciplina escolar: benéfica ou prejudicial?

Por Aniela Darienzo 24 de outubro de 2017

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A arte como disciplina escolar: benéfica ou prejudicial?
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O ensino de artes na escola não tem como objetivo formar artistas, assim como o ensino de matemática não visa formar matemáticos, o seu papel é formar pessoas capazes de ter uma percepção sensível às imagens, bem como decodificar intenções e valores presentes na arte e na mídia.

A escola enquanto instituição precisa investir na formação de leitores ampliando suas concepções de leitura para além dos elementos textuais, incorporando também a linguagem visual, corporal e tecnologias digitais. É fato que a maioria dos alunos não quer estudar, mas quer muito aprender.

Ao ampliarmos a educação através da arte em suas várias formas despertamos gosto pelo conhecimento usando um meio de comunicação atraente para crianças e jovens. Roland Barthes, filósofo francês, propõe um modo de ensino com nenhum poder, um pouco de sabedoria e o máximo de sabor possível.

A atuação do professor em uma relação de poder e submissão impondo obediência cega gera um clima de tensão em uma aprendizagem repetitiva e sem sentido.

A atuação do professor pode muitas vezes determinar o sucesso ou fracasso do estudante. Críticas excessivas, destrutivas, desconsideração pelo esforço ou pelos sentimentos do aluno são atitudes que servem para diminuir ou até mesmo destruir o interesse pela aprendizagem.

Os psicólogos americanos Rosenthal e Jacobson pesquisaram sobre a influência do professor no desempenho dos alunos como uma “profecia educacional que se autorrealiza.” Isto é, aqueles a quem o professor menos espera que aprendam terão menores resultados. Isso ocorre porque quando o professor demonstra empatia e acredita no potencial de seus alunos agirá de modo incentivador e isso produzirá um efeito benéfico.

Muitos jovens e adultos afirmam terem sido envolvidos pela empatia de um professor, se sentindo acolhidos por ele e apesar de inicialmente não se identificarem com a disciplina, se esforçaram para conseguir bons resultados. Alguns escolhem inclusive uma determinada área por influência de um educador.

Segundo o sociólogo suíço Philippe Perrenoud a profissão docente está na união da competência acadêmica, isso é o domínio dos saberes; com a competência pedagógica que é o melhor modo de transmitir esse conhecimento.

O professor poderá agir diretamente quando explica algum assunto, dá ordens, critica e mantém a vigilância em sala; ou indiretamente quando elogia, encoraja e faz perguntas aos alunos para que sejam respondidas de forma espontânea. O pesquisador Ned A. Flanders acredita que através do modo indireto os alunos desenvolvem atitudes positivas com relação à escola e atingem maiores realizações.

A arte dentro das instituições escolares sempre atuou como transgressora, enquanto nas outras disciplinas o trabalho é repetitivo, obrigatório e não considera a vontade do aluno, nas aulas de artes a percepção individual será prioridade; um momento de satisfação por permitir a quebra da rotina.

Praticar arte proporciona um momento em que o jovem acha dentro de si recursos para enfrentar melhor os problemas que surgem, porque encontra na arte um ambiente seguro para expressar seus sentimentos.

A escola deveria ser um local onde se exerceria o princípio democrático de acesso de todas as classes sociais à informação e a formação estética. No entanto, o que ocorre é um apartheid cultural, onde as camadas populares são vedadas ao acesso dos códigos eruditos, enquanto a classe dominante se apropria de todos os códigos, inclusive os da cultura popular. As massas devem ter o direito a sua própria cultura e à cultura da elite.

É curioso como ao mesmo tempo em que a sociedade considera a arte como um dos bens mais elevados da humanidade, seja vista com descrédito nas instituições públicas que seriam justamente o meio de facilitar o acesso à maioria dos estudantes à arte. Há de se levantar a questão: Nosso sistema educacional prioriza os valores humanos ou as recompensas materiais são os verdadeiros valores?

A ênfase na aprendizagem como um todo tem sido relacionada apenas a memorização de fatos e fórmulas, isso por si só, não trará benefícios nem a sociedade, nem ao indivíduo se não vier acompanhado da formação de um espírito livre e flexível.

A arte contribui como nenhuma outra disciplina porque é um caminho que traz liberdade de expressão, poder de análise e insere o indivíduo no coletivo ao mesmo tempo em que fortalece sua individualidade.

BIBLIOGRAFIA

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http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/handle/1843/BUBD-A9LEGW/monografia_gislene_2016___c_pia.pdf?sequence=1

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