Arte e artesanato

Por Aniela Darienzo 1 de agosto de 2017

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Arte e artesanato
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As fronteiras entre arte e artesanato podem ser confusas. Se a arte compreende o domínio do “fazer”, poderíamos considerar o artista um artesão? Qual seria a diferença entre o trabalho de um artista e o de um artesão?

Para compreendermos o papel da arte, devemos estar cientes que houve uma crise histórica envolvendo teoria e prática, separando o fazer em artes mecânicas e artes liberais. A Arte com “A” maiúsculo passou por um processo de distinção que a separou das atividades trabalhistas.

O trabalho era considerado nocivo de acordo com a doutrina clássica e intelectualista, baseava-se em um sistema de divisão onde as artes liberais eram permitidas somente aos homens livres, e as artes mecânicas, desprezadas, eram cumpridas pelos escravos.

Durante o Renascimento (1300-1700) foi construída uma fundamentação teórica que retirou a arte da ligação com as artes mecânicas. Nomes como Alberti, Piero della Francesca, Leonardo da Vinci e Vasari foram essenciais para o prestígio das três grandes artes do desenho: Pintura, Escultura e Arquitetura; e as demais não foram consideradas como arte.

O desenho pertencia ao plano da ideação e o homem capaz de tal realização seria o artista, cuja capacidade de invenção era inspirada por Deus. Posteriormente, Diderot contribuiria para a visão da arte como ligada indissoluvelmente a experiência sensorial, e o desenho como invólucro de uma ideia.

Tradicionalmente a Arte é realizada em estúdios e ateliês, enquanto a aprendizagem artesanal é realizada dentro de oficinas ou no âmbito comunitário como uma tradição familiar, usando a matéria-prima acessível à região.

O artesanato não está ligado a uma camada social em específico. É uma forma de produção e não um objeto resultante; uma repetição por observação e imitação onde se aprende na prática.

O artesanato está ligado a objetos confeccionados manualmente em que é necessário o uso de ferramentas que constituem uma espécie de prolongamento do corpo. Abrange à relação homem e natureza, domínio técnico, empregando temas que marquem uma identidade cultural.

Quando houver o uso de máquinas, o lugar de trabalho constituirá uma oficina e quem realiza a transformação da matéria-prima em objetos será considerado artífice, e não um artesão. É o caso da indústria têxtil, manufatureira, popular ou caseira.

Segundo Gombrich nada de fato existe a que se possa dar o nome de arte, existem apenas artistas. A aprendizagem nunca tem fim. As grandes obras artísticas parecem ter um aspecto diferente cada vez que nos colocamos diante delas e parecem ser tão inesgotáveis e imprevisíveis quanto os seres humanos.

A beleza de uma obra de Arte não se encontra na beleza do seu tema ou na técnica escolhida para sua representação. Gostos e padrões de beleza podem diferir muito. É importante frisar que, a partir da Revolução Industrial, novos códigos e linguagens surgiram abrindo a arte ao processo de mesclagem.

A história da arte não é uma história de progresso e evolução técnica, mas uma história de ideias, concepções e necessidades em constante evolução. A arte está ligada à expressão, valores e sentimentos. A criação de um objeto cuja finalidade é a contemplação. Através dela podemos exacerbar a realidade, dar forma ao desejo, ao sonho, a fantasia e a poesia.

BIBLIOGRAFIA

GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Tradução: Álvaro Cabral. 16ª edição. Rio de Janeiro, LTC Editora, 1999
CARAMELLA, Elaine. História da Arte – Fundamentos Semióticos: teoria e método em debate. Baruaru, EDUSC, 1998
ANDRADE, Mário de. O artista e o artesão. 1938. Disponível em: https://www.eba.ufmg.br/

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