Anonimato: a mulher na história da arte

Por Aniela Darienzo 19 de outubro de 2017

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Anonimato: a mulher na história da arte
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A maioria das artistas em algum momento já lidou com pessoas que questionassem sua capacidade. Muitas vezes o simples fato de demonstrar interesse por questões artísticas é motivo para discriminações, agressões verbais ou físicas.

Brian Sewell, crítico de arte, afirmou que apenas os homens seriam capazes da grandiosidade estética. A artista Lee Krasner foi elogiada com a frase: “Isso é tão bom que você nunca diria que foi feito por uma mulher”. Comentários preconceituosos como esses não foram ditos há centenas de anos atrás, mas na contemporaneidade.

É fato que ao visitarmos museus, as obras expostas em sua quase totalidade foram realizadas por homens. Isso não significa que as mulheres não realizassem obras artísticas ou que seus resultados não fossem bons o suficiente para ganhar espaço nas galerias de arte do mundo, mas que existiram várias barreiras que impediram a ascensão feminina.

Os pintores e escultores trabalhavam em oficinas familiares e a arte era uma forma de comércio onde muitas pessoas participavam na execução de uma obra. Quando não pertencesse a uma família de artistas era preciso se tornar aprendiz, vivendo na casa de um mestre artista por pelo menos quatro anos, aprendizagem que comumente tinha início aos 12 anos de idade.

Era necessário conhecer o corpo humano e sua anatomia, sendo inaceitável que uma mulher tivesse acesso ao uso de modelos vivos que não pertencessem a sua família. Diante de tantas restrições somente as filhas de pintores ou mulheres que pertencessem a famílias nobres conseguiam desenvolver seu potencial artístico.

Durante os séculos XV e XVII não havia possibilidade de independência dos pais ou maridos, sendo apenas permitida a presença da mulher em determinadas profissões a partir da segunda metade do século XIX. Vale lembrar que a mulher só teve direito ao voto a partir do século XX, pois era considerada incapaz.

Artemisia Gentileschi tornou-se uma figura emblemática por ser a primeira mulher aceita na Academia de Belas Artes de Florença, respeitada por seu trabalho e considerada no meio artístico. Pintora do período barroco, foi uma grande referência nos movimentos feministas por trazer outro foco, representando heroínas, assim como expressões de horror e resistência da mulher diante do olhar lascivo masculino.

A pintora impressionista Mary Cassatt retratou cenas da vida familiar, principalmente em imagens de mães em momentos de ternura com seus filhos. Insatisfeita com a qualidade do ensino que havia à disposição, decidiu estudar por conta própria realizando cópias das obras de grandes mestres que haviam no Louvre.

O ingresso no sistema de educação artística teve início a partir do século XIX, mas ainda com a restrição a temas familiares, introspectivos ou naturezas mortas. A primeira exposição internacional de arte para artistas mulheres ocorreu em 1976 quando o movimento de Arte Feminista ganhou impulso, mostrando a contribuição das mulheres em meio a uma história da arte dominada por homens.

É importante resgatar a importância do trabalho das mulheres em todos os períodos da história em seu lento e árduo processo de emancipação. O número restrito de mulheres artistas se deve não a falta de talento, mas às imensas restrições e falta de oportunidades impostas pela sociedade.

Apesar de ainda serem constantes várias situações que nos remetem ao passado, como o demérito diante da capacidade artística das mulheres, cada vez mais se tornam atuantes mostrando sua própria perspectiva de vida através da arte.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BELL, Julian. Uma nova história da arte. Tradução: Roger Maioli. WMF Martins Fontes São Paulo, 2008.

A História da mulher e da Arte. 2017. Disponível em: https://icfcaderno.wordpress.com/2017/01/27/a-historia-da-mulher-e-a-arte/

Mulheres pintoras na Renascença – http://www.beatrix.pro.br/index.php/mulheres-pintoras-na-renascenca/

Mulheres artistas do Renascimento. 2015. Disponível em: http://www.autoresartistas.com/single-post/2015/04/03/As-mulheres-artistas-do-Renascimento

PAULA, Joy de. Top 10 artistas mulheres do expressionismo abstrato que você precisa conhecer. 2017. Disponível em: http://arteref.com/arte/artistas-mulheres-do-expressionismo-abstrato/

ZELIC, Helena. 20 Artistas mulheres que o mundo provavelmente nunca considerou mais importantes do que qualquer quadro do Picasso ou desses homens artistas aí. Disponível em: http://www.revistacapitolina.com.br/

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